Revista Time mostra Trump com boca coberta após vitória democrata
Democratas conquistaram a Câmara e o Senado nas eleições de meio de mandato dos EUA e planejam usar a maioria para fiscalizar o governo e barrar indicações.
Resumo em 30 segundos
A capa da Time mostra Donald Trump com a boca coberta por um adesivo “I Voted”, após os democratas conquistarem a maioria nas duas Casas do Congresso. O resultado dá ao partido poder para definir pautas, investigar o governo e bloquear indicações, mas não garante a aprovação de suas propostas.
A revista Time publicou nesta quarta-feira, 4, uma capa em que Donald Trump aparece com a boca coberta por um adesivo “I Voted” (“Eu votei”), após o Partido Democrata conquistar a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato. O adesivo é distribuído a eleitores depois que votam.
A imagem acompanha uma reportagem sobre como os democratas pretendem usar o controle das duas Casas do Congresso. Com a maioria, o partido poderá definir a pauta legislativa, convocar integrantes do governo para prestar depoimento, investigar denúncias e bloquear indicações de Trump para cargos no gabinete e na Justiça federal.
Na contagem divulgada em meados da manhã, os democratas tinham 228 cadeiras na Câmara, contra 139 dos republicanos. No Senado, chegaram a 54 integrantes, incluindo os que ainda cumprem mandatos iniciados antes da eleição, três acima do número necessário para controlar a Casa. A apuração ainda avançava na costa oeste, especialmente na Califórnia.
O resultado incluiu vitórias democratas em estados tradicionalmente republicanos. No Texas, o partido conquistou uma cadeira no Senado e o governo estadual; também venceu uma disputa para o Senado no Kansas, algo que não ocorria havia quase 100 anos, e ganhou uma cadeira na Carolina do Sul. A legenda ainda avançou na Câmara em distritos considerados redutos republicanos.
A maioria no Congresso dá aos democratas instrumentos para fiscalizar o governo e influenciar a tramitação de projetos. Comissões legislativas podem realizar audiências, solicitar documentos e convocar autoridades e outras pessoas para depor. O controle do Legislativo, porém, não significa que todas as propostas da oposição serão aprovadas: elas ainda precisam superar as etapas previstas no processo legislativo e eventuais vetos presidenciais.
Entre os planos mencionados por lideranças democratas estão apurações sobre possíveis conflitos entre integrantes do governo e empresas privadas, negócios ligados à família de Trump e a atuação do secretário de Defesa, Pete Hegseth, na guerra contra o Irã. O partido também poderá examinar a política migratória e as operações militares. As propostas e investigações ainda dependerão de decisões dos parlamentares e de negociações dentro do próprio partido.
A revista afirma que os líderes democratas veem a vitória como uma oportunidade de transformar o descontentamento com Trump em apoio para a eleição presidencial de 2028. As eleições de meio de mandato ocorrem na metade do período presidencial e renovam vagas no Congresso; o resultado pode alterar o equilíbrio de poder entre a Casa Branca e o Legislativo durante os dois anos seguintes.