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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Democratas assumem Congresso dos EUA e pressionam Trump

A vitória nas eleições de meio de mandato dá ao partido poder para fiscalizar o governo, mas não encerra a guerra com o Irã nem elimina tarifas.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Capitólio dos Estados Unidos, sede do Congresso, sob um céu dramático. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Capitólio dos Estados Unidos, sede do Congresso, sob um céu dramático.
Resumo em 30 segundos

Com a vitória nas eleições de meio de mandato, os democratas passam a controlar o Congresso dos Estados Unidos e podem fiscalizar o governo, influenciar o orçamento e barrar indicações. Trump mantém poderes importantes sobre política externa e comércio, mas a nova maioria pode pressioná-lo sobre a guerra com o Irã e as tarifas.

A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, 3, colocou o partido no comando do Congresso e abriu dúvidas sobre os próximos passos do presidente Donald Trump. Governos e analistas de diferentes regiões avaliam se a derrota eleitoral deve limitar as decisões da Casa Branca ou levar Trump a intensificar medidas no exterior, incluindo a guerra com o Irã e novas tarifas comerciais.

As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, ocorrem no meio do mandato presidencial e renovam assentos no Congresso. O Legislativo americano é formado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado; o controle das duas casas permite à oposição influenciar a pauta, fiscalizar o governo e negociar o orçamento. A mudança, porém, não retira de Trump poderes executivos importantes, sobretudo em política externa e comércio.

A guerra com o Irã está entre as principais preocupações internacionais após o resultado. Países asiáticos dependentes de energia do Oriente Médio têm acompanhado o conflito em meio à pressão sobre os preços de petróleo, gás e combustíveis. O professor associado de Ciência Política da Universidade Nacional de Singapura Ja-Ian Chong disse que a guerra elevou a inflação no Sudeste Asiático e que a vitória democrata gerou esperança de algum alívio.

Essa expectativa convive com o receio de uma escalada. Analistas citados por Chong avaliam que Trump poderia voltar a atacar o Irã depois da eleição, o que agravaria as preocupações com o abastecimento de petróleo e gás. A vitória democrata, por si só, não determina uma mudança na condução militar: presidentes americanos têm ampla margem para agir em política externa, enquanto o Congresso pode usar seus poderes de fiscalização e orçamento para pressionar o Executivo.

O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que seu partido pretende trabalhar para encerrar a guerra contra o Irã, que, segundo ele, contribuiu para a alta dos combustíveis nos Estados Unidos. Jeffries também destacou que cabe ao Congresso declarar guerra. A declaração indica uma prioridade política da nova maioria, mas não significa que o conflito será encerrado imediatamente.

O comércio é outra área em que a mudança no Congresso pode ter repercussões globais. Investigadores comerciais americanos passaram meses examinando mais de uma dúzia de países acusados de violações trabalhistas e de produzir em excesso mercadorias como produtos químicos e automóveis. Japão, China e Vietnã estão entre os países que podem enfrentar tarifas adicionais, que se somariam a taxas já existentes.

A vitória democrata não encerra a capacidade de Trump de impor tarifas, mas dá ao Congresso instrumentos para interferir em detalhes e fiscalizar a política comercial. O ex-negociador comercial americano Stephen Olson disse que parlamentares podem pressionar por isenções em produtos que afetem o custo de vida dos eleitores. Jeffries afirmou que pretende priorizar medidas para reverter tarifas aplicadas por Trump sem aprovação do Congresso.

A nova maioria também poderá abrir investigações sobre o governo e dificultar a aprovação de projetos da Casa Branca. O controle das comissões e da agenda legislativa permite convocar autoridades e examinar decisões do Executivo. A oposição pode ainda bloquear indicações presidenciais que dependem de aprovação do Senado. Trump, por sua vez, pode vetar leis aprovadas pelos parlamentares; a derrubada de um veto exige apoio de dois terços em cada casa.

Na Ásia, a votação também foi acompanhada pelo impacto potencial sobre as relações entre Washington e Pequim. A disputa econômica e as divergências territoriais continuam sendo pontos de tensão entre os dois países, e a postura mais dura em relação à China é compartilhada pelos dois partidos americanos. O professor de Relações Internacionais da Universidade Renmin, em Pequim, Shi Yinhong afirmou que a mudança no Congresso pode complicar o entendimento entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, anunciado em uma cúpula em maio.

Taiwan pode ser afetada pela nova correlação de forças. William Yang, analista sênior do International Crisis Group em Taipé, disse que um Congresso democrata poderia pressionar a Casa Branca a aprovar um pacote de armas de US$ 14 bilhões, que está há muito tempo pendente e reforçaria as defesas da ilha diante das ameaças militares chinesas.

A reação em países aliados também foi de cautela. No Japão, o professor Kazuhiro Maeshima, da Universidade Sophia, disse que há esperança de mudança, mas que ainda não é possível saber se ela se concretizará. Na Austrália, o estudante de política Dan Ramsay afirmou que o país deve reduzir a dependência dos Estados Unidos e fortalecer relações com outras potências, sem abandonar a parceria com Washington.

Mesmo com a perda do controle do Congresso, Trump ainda terá mais dois anos de mandato. O pesquisador Max Yoeli, associado à Chatham House, em Londres, avaliou antes da votação que o presidente continua capaz de provocar turbulências internacionais. Uma pesquisa da Fundação Rockefeller realizada em 34 países apontou que 39% dos entrevistados se sentiam confortáveis com os Estados Unidos na liderança mundial, sinal de que a preocupação com a previsibilidade da política americana vai além do resultado eleitoral.

Fontes: Estadão, Zero Hora

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