Pular para o conteúdo
Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Recifes brasileiros têm cinco regiões em risco crítico de colapso

Avaliação da IUCN aponta o aquecimento dos oceanos como principal ameaça e alerta para o branqueamento dos corais no Brasil.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Corais saudáveis e branqueados em um recife brasileiro, com peixes nadando ao redor. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Corais saudáveis e branqueados em um recife brasileiro, com peixes nadando ao redor.
Resumo em 30 segundos

Cinco das oito regiões de recifes avaliadas no Brasil foram classificadas como criticamente ameaçadas, o nível mais alto de risco de colapso. O aquecimento dos oceanos é a principal pressão. A avaliação também aponta que medidas locais, como melhorar a qualidade da água e controlar a pesca, podem favorecer a recuperação dos recifes.

Cinco das oito regiões de recifes de coral avaliadas no Brasil foram classificadas como “criticamente ameaçadas”, o nível mais alto de risco de colapso na Lista Vermelha de Ecossistemas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A avaliação, divulgada durante a conferência da ONU sobre biodiversidade realizada em Yerevan, na Armênia, aponta o aquecimento dos oceanos como a principal pressão sobre os recifes.

As cinco regiões estão sobretudo no Nordeste: Parrachos, Costa dos Corais, Atol das Rocas/Fernando de Noronha, Abrolhos e Baía de Todos os Santos/Baixo Sul. A classificação considera a probabilidade de um ecossistema entrar em colapso, e não significa que todos os recifes dessas áreas já tenham desaparecido.

Os recifes brasileiros se estendem por quase 3 mil quilômetros da costa do Atlântico Sul, do Nordeste até a Ilha da Queimada Grande, em São Paulo, e ocupam cerca de 1.100 km². Embora representem 0,6% da extensão mundial de recifes, abrigam espécies próprias: o país tem 21 espécies de corais duros e cinco de hidrocorais, além de espécies que não existem em nenhum outro lugar.

A avaliação integra a primeira análise global da IUCN sobre recifes de coral de águas rasas. No conjunto mundial, 96% dos ecossistemas examinados foram considerados criticamente ameaçados. A entidade identificou o aumento da temperatura dos oceanos, associado às mudanças climáticas, como a principal ameaça.

O calor pode provocar o branqueamento dos corais. O fenômeno ocorre quando os animais perdem as algas microscópicas que vivem em seus tecidos e lhes fornecem parte da energia. Se o estresse térmico persistir, os corais podem morrer. Eventos de calor extremo em 2019–2020 e em 2024 causaram episódios severos de branqueamento e mortalidade no Brasil.

A classificação brasileira está ligada principalmente às projeções de aumento da temperatura dos mares, explicou Beatrice Padovani Ferreira, professora de oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco e coautora da avaliação regional da IUCN. Ela afirmou que os recifes ainda podem se recuperar, desde que sejam reduzidas as pressões locais que se somam ao aquecimento.

Entre as medidas apontadas estão melhorar a qualidade da água, controlar a chegada ao mar de sedimentos, nutrientes e poluentes e reforçar o manejo da pesca. Abrolhos, Atol das Rocas e Fernando de Noronha, que têm unidades de conservação, apresentaram indicadores melhores em alguns aspectos do funcionamento ecológico, mas também sofrem os efeitos do aquecimento.

O desenvolvimento costeiro sem saneamento e controle adequados pode dificultar a recuperação, especialmente nos recifes próximos ao continente. A ocupação desordenada pode degradar restingas, dunas e margens de rios, ambientes que ajudam a proteger os recifes. Chuvas intensas também podem levar mais sedimentos, fertilizantes, pesticidas e esgoto para o mar.

A perda dos recifes afeta a biodiversidade e atividades como pesca e turismo, das quais dependem comunidades. Ferreira defendeu o fortalecimento de programas nacionais como o ProCoral e o Plano de Ação Nacional para Conservação dos Ambientes Coralíneos (PAN Corais), além de ampliar o monitoramento em áreas com poucos dados. A conservação, segundo a avaliação, também exige considerar a ligação entre ambientes costeiros e oceânicos.

Fontes: Valor Econômico

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também