Cinco regiões de recifes brasileiros entram em risco crítico
A classificação foi apresentada na COP17 e considera o estresse térmico previsto para as próximas cinco décadas, além das pressões locais sobre os corais.
Resumo em 30 segundos
Cinco das oito ecorregiões brasileiras de recifes avaliadas foram classificadas como Criticamente em Perigo pela Lista Vermelha de Ecossistemas. A categoria considera projeções de estresse térmico para os próximos 50 anos, além de ameaças locais como sobrepesca, desenvolvimento costeiro e poluição. Três áreas ficaram sem classificação por falta de dados suficientes.
Cinco das oito ecorregiões brasileiras de recifes de corais avaliadas foram classificadas como “Criticamente em Perigo” pela Lista Vermelha de Ecossistemas. O resultado foi apresentado durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), realizada em Yerevan, na Armênia. A avaliação considera o risco de colapso dos ecossistemas e aponta a necessidade de medidas urgentes de proteção.
As áreas na categoria de maior risco são Parrachos, Atol das Rocas e Fernando de Noronha, Costa dos Corais, Baía de Todos os Santos e Baixo Sul, e Abrolhos. As outras três regiões analisadas — Parcel de Manuel Luís, Costa Semiárida e Queimada Grande — não tinham dados suficientes para uma classificação geral.
A Lista Vermelha de Ecossistemas é uma ferramenta da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Ela classifica ecossistemas conforme o risco de colapso, levando em conta fatores como distribuição, limitações geográficas e degradação. As categorias incluem Vulnerável, Em Perigo, Criticamente em Perigo e Colapsado.
A avaliação brasileira examinou mudanças registradas nos últimos 50 anos e projeções de estresse térmico para as cinco décadas seguintes. Sem considerar as projeções climáticas, Parrachos, Costa dos Corais e Atol das Rocas e Fernando de Noronha já se enquadravam como criticamente em perigo. Baía de Todos os Santos e Baixo Sul e Abrolhos ficariam na categoria Em Perigo.
A classificação mais grave para as cinco ecorregiões considera o estresse térmico previsto para os próximos 50 anos, com base em um cenário intermediário do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). As ondas de calor marinhas estão entre as principais ameaças aos recifes e podem causar branqueamento e mortalidade de corais. Eventos desse tipo foram registrados em 2019 e 2020 e novamente em 2024.
A avaliação também aponta pressões locais que reduzem a capacidade de recuperação dos recifes. Entre elas estão sobrepesca, desenvolvimento costeiro, turismo e sedimentos e nutrientes levados do continente, que prejudicam a qualidade da água. Exploração de petróleo e gás, mineração, navegação e espécies invasoras, como o coral-sol e o peixe-leão, também foram citadas. Recifes próximos da costa tendem a enfrentar um conjunto maior dessas pressões.
A analista de Conservação do WWF-Brasil Ana Lídia Gaspar afirmou que a ausência de dados não significa ausência de risco. Segundo ela, é preciso ampliar o conhecimento sobre as áreas sem classificação para avaliar melhor sua situação e orientar ações de conservação.
A análise global abrangeu 127 ecorregiões em mais de 80 países e territórios, reunidas em dez macrorregiões. Dessas, 122 foram classificadas como criticamente em perigo. O levantamento se restringiu a recifes de coral fóticos, encontrados em áreas rasas com incidência de luz; recifes profundos, rochosos e corais de água fria ficaram fora do escopo.
A Lista Vermelha integra as ferramentas usadas na revisão do tratado de biodiversidade de Kunming-Montreal, firmado em dezembro de 2022, do qual o Brasil é signatário. A avaliação pode orientar políticas para proteger recifes e recuperar espécies marinhas, mas ressalta que medidas locais não eliminam os efeitos do aquecimento dos oceanos. A redução rápida das emissões de gases de efeito estufa é apontada como necessária para conter as ondas de calor marinhas.