Pular para o conteúdo
Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Raízen aprova divisão entre energia e combustíveis e capitalização

O plano prevê aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões, com participação da Shell e de credores, enquanto a empresa enfrenta dívida de R$ 65 bilhões.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Complexo industrial com canavial, tanques e tubulações de combustíveis. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Complexo industrial com canavial, tanques e tubulações de combustíveis.
Resumo em 30 segundos

A Raízen aprovou a separação de suas operações de energia e combustíveis em duas companhias abertas e um aumento de capital que pode chegar a R$ 39,8 bilhões. A reorganização integra o plano de recuperação extrajudicial do grupo, cuja dívida alcançou R$ 65 bilhões, e prevê participação da Shell e dos credores nas empresas.

A Raízen aprovou, na sexta-feira, 30, uma reorganização para separar suas operações de energia e combustíveis em duas companhias abertas independentes e um aumento de capital que pode chegar a R$ 39,8 bilhões. As decisões foram tomadas em assembleias da Raízen e da Raízen Energia e fazem parte do plano de recuperação extrajudicial do grupo, homologado em 30 de julho.

A mudança divide as atividades entre a Raízen Energia, que reunirá a produção e a comercialização de etanol, açúcar e bioenergia, e a Raízen S.A., responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. A efetivação depende do cumprimento das condições previstas no plano e das exigências legais. Até lá, a atual administração continuará à frente das companhias.

A reestruturação ocorre após o endividamento do grupo chegar a R$ 65 bilhões. O aumento de capital prevê aporte de até R$ 3,5 bilhões pela Shell e uma possível contribuição de R$ 500 milhões da Aguassanta Participações, family office da família Ometto. Também estão previstos a conversão em capital de parte dos créditos dos credores e o exercício do direito de preferência pelos demais acionistas.

O valor máximo de R$ 39,8 bilhões considera a hipótese de a holding Cosan não exercer seu direito de preferência na subscrição de ações preferenciais classe B. A operação poderá ser homologada parcialmente. Em paralelo, a Raízen S.A. reduzirá seu capital social em até R$ 35 bilhões, entregando aos acionistas valores mobiliários emitidos pela Raízen Energia.

Os credores — bancos e detentores de títulos de dívida no Brasil e no exterior — e a Shell terão maioria nos conselhos das duas empresas. As assembleias aprovaram chapas com sete integrantes titulares e sete suplentes para cada colegiado, com mandatos de três anos a partir da homologação do aumento de capital da Raízen S.A.

Samuel Aguirre foi indicado para presidir o conselho da Raízen S.A. A chapa também inclui André Dorf, Maria Gordon e Paulo Souza Queiroz Figueiredo, indicados pelos credores, e Felix Faber e Luiz Felipe Guimarães Coimbra, pela Shell. Rubens Ometto poderá ocupar uma vaga nos dois conselhos se a Aguassanta participar da capitalização com R$ 500 milhões; caso contrário, Roland Alexander Ilube, indicado pela Shell, ficará com a vaga.

Na Raízen Energia, Julio Cesar de Toledo Piza Neto foi indicado para a presidência do conselho. Kenneth John Monaghan, Mário Martins Peixoto Netto e Nelson da Silva Cardoso de Oliveira foram indicados pelos credores; Felix Faber e Luiz Felipe Guimarães Coimbra, pela Shell. O CEO da Raízen, Nelson Gomes, afirmou que a escolha dos conselheiros e a indicação antecipada de líderes para as futuras empresas dão previsibilidade à execução do plano de transformação operacional e financeira.

O conselho da Raízen tem reunião prevista para 6 de novembro para deliberar sobre o aumento de capital. A data também será a referência para definir quais acionistas poderão exercer o direito de preferência: serão considerados os titulares de ações ordinárias ou preferenciais classe A ao fim do pregão da B3 nesse dia. O prazo para participar da subscrição vai de 9 de novembro a 8 de dezembro; a partir de 9 de dezembro, as ações serão negociadas sem esse direito.

A operação prevê três emissões simultâneas: ações ordinárias a R$ 0,25 cada, preferenciais classe B também a R$ 0,25 e units a R$ 0,50. Cada unit será formada por uma ação ordinária e uma preferencial classe A. As assembleias também aprovaram mudanças nas classes de ações e no capital autorizado, que permitirão ao conselho deliberar sobre a capitalização. Essas alterações só terão efeito após a homologação do aumento de capital.

A empresa iniciará ainda preparativos para um processo competitivo que avaliará um possível investimento no negócio de distribuição de combustíveis, com possibilidade de oferta pública secundária. Na semana anterior às assembleias, a Raízen firmou acordo com o Fisco que prevê desconto de R$ 8,5 bilhões em sua dívida tributária, apontado pela companhia como uma condição para avançar na reestruturação.

Fontes: Estadão

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também