Acionistas da Raízen votam medidas da recuperação extrajudicial
A assembleia de 30 de outubro analisará mudanças de capital e governança, mas o valor a ser recuperado pelos credores ainda dependerá da execução do plano.
Resumo em 30 segundos
Os acionistas da Raízen devem votar em 30 de outubro medidas ligadas à recuperação extrajudicial de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas não operacionais. A proposta inclui mudanças no capital e na governança. A recuperação dos credores dependerá da capitalização, da divisão das dívidas e do desempenho dos ativos.
Os acionistas da Raízen devem votar em 30 de outubro medidas ligadas ao plano de recuperação extrajudicial da empresa, que tenta renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas não operacionais. A proposta prevê mudanças na estrutura de capital e na governança, mas o valor que os credores receberão ainda depende de decisões e resultados futuros, segundo avaliação do BB Investimentos.
A assembleia geral extraordinária analisará a ampliação do limite de capital autorizado para até 200 bilhões de ações, a criação de uma nova classe de ações preferenciais e a emissão de units. Cada unit reuniria uma ação ordinária e uma ação preferencial Classe A; esse tipo de ativo permite negociar conjuntamente diferentes ações de uma companhia.
O BB Investimentos avalia que as medidas podem reduzir dúvidas sobre a execução do plano, mas não definem quanto será recuperado pelos credores. O montante dependerá da capitalização da empresa, da distribuição das dívidas entre os grupos envolvidos e do desempenho dos ativos depois da separação dos negócios.
A recuperação extrajudicial é uma negociação conduzida pela empresa com credores, formalizada em um plano que pode ser submetido à homologação judicial. No caso da Raízen, o processo foi iniciado em março deste ano para tratar de aproximadamente R$ 65 bilhões em obrigações não operacionais. A iniciativa não equivale a uma recuperação judicial, que é conduzida sob supervisão mais ampla do Judiciário.
O plano também prevê a destituição do atual conselho de administração. Para os analistas do BB Investimentos, a mudança pode aproximar a gestão da execução da reestruturação e da proteção dos novos acionistas, que poderão surgir quando créditos forem convertidos em ações.
Os acionistas atuais, por sua vez, enfrentam a possibilidade de diluição de suas participações e de perda de influência, caso sejam emitidas novas ações. A proposta também abre caminho para reequilibrar as finanças e avaliar separadamente as operações de distribuição e de energia.
A renegociação busca enfrentar uma deterioração financeira associada, entre outros fatores, ao custo elevado dos juros e a períodos de colheita com produtividade menor. O resultado para credores e acionistas dependerá da implementação das medidas e da evolução dos ativos após a reorganização.