Edinho Silva atribui resultado de Lula à crise no STF
O presidente do PT diz que Lula perdeu votos em relação a 2022 e afirma que a campanha mudará a comunicação e buscará eleitores para o segundo turno.
Resumo em 30 segundos
Edinho Silva atribuiu o desempenho de Lula no primeiro turno à crise institucional envolvendo o STF. Flávio Bolsonaro terminou à frente, e os dois disputarão o segundo turno no dia 25. O presidente do PT afirmou que a campanha mudará sua comunicação, buscará eleitores de outros candidatos e ausentes e pretende levar Lula a debates.
O presidente do PT, Edinho Silva, atribuiu nesta segunda-feira o resultado de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno da eleição presidencial à crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente ficou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), e os dois disputarão o segundo turno, marcado para o dia 25.
Flávio recebeu 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula obteve 53.879.538 votos, ou 45,16%, e teve 3.379.966 votos a menos do que no primeiro turno de 2022. Edinho afirmou que, na percepção do eleitorado, Lula acabou associado ao desgaste das instituições por ser o principal representante do Estado.
“Essa crise institucional, por mais que o presidente Lula tenha se posicionado, tenha cobrado investigação de todas as denúncias e que os denunciados paguem pelos seus erros, aos olhos da sociedade, o maior representante do Estado brasileiro é Lula. Ele acabou sofrendo e pagou o preço desse desgaste institucional”, declarou Edinho em entrevista à GloboNews.
O dirigente disse que o segundo turno será “uma outra eleição”, com confronto direto entre os projetos dos dois candidatos. Ele afirmou que o PT pretende mudar a linha e a forma de comunicação da campanha, mas não planeja, neste momento, alterar os nomes da equipe. Também descartou que a entrada do marqueteiro João Santana esteja sendo considerada. Santana trabalhou nas campanhas vitoriosas de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 e 2014.
Edinho declarou que a campanha buscará dialogar tanto com eleitores que votaram em outros candidatos quanto com pessoas que não compareceram às urnas. O segundo turno permite que os dois concorrentes disputem os votos de quem escolheu outras candidaturas na primeira rodada, além de mobilizar eleitores que se abstiveram.
Lula deverá participar do maior número possível de debates, segundo o presidente do PT. “Não sei quantos convites vão chegar, mas dentro da possibilidade ele vai ao maior número possível de debates”, disse Edinho. No primeiro turno, Lula não compareceu aos debates para os quais foi convidado; o encontro previsto pela TV Globo acabou cancelado após desistências e decisões judiciais sobre o evento.
Edinho também afirmou que o PT pretende defender reformas no Judiciário e no sistema político. Na avaliação dele, Lula tem autoridade para conduzi-las por já ter enfrentado a elite política brasileira. O dirigente reconheceu ainda que a campanha errou ao descentralizar a produção de materiais, porque alguns Estados não tinham estrutura para esse trabalho. Segundo ele, o material da nova etapa já está em produção e começou a ser enviado aos Estados.