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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

França impõe toque de recolher após saques e confrontos em protestos

As restrições valem até terça-feira em Paris e cidades do norte; estudantes, sindicalistas e Coletes Amarelos planejam novo ato para sábado.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Rua de Paris à noite com barreiras policiais e objetos espalhados após protestos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Rua de Paris à noite com barreiras policiais e objetos espalhados após protestos.
Resumo em 30 segundos

O governo francês impôs toque de recolher em Paris e em cidades do norte do país após saques e confrontos durante protestos contra o custo de vida e a falta de recursos na educação. As medidas valem até terça-feira. Para sábado, estudantes, sindicalistas e Coletes Amarelos planejam novas manifestações.

Autoridades francesas impuseram toque de recolher em Paris e em cidades do norte do país a partir desta segunda-feira (19), após saques e confrontos durante protestos contra o custo de vida e a falta de recursos na educação. As restrições também valem na terça-feira (20), enquanto estudantes, sindicalistas e integrantes dos Coletes Amarelos planejam novas manifestações para sábado (24), chamado pelo movimento de “Ato 2”.

Em Paris, moradores das áreas abrangidas não podem circular entre 23h e 6h. A participação em manifestações está proibida das 20h às 6h. A Praça da República, um dos pontos de encontro dos atos, está entre os locais afetados. Em Lille, Douai, Wattignies e Denain, a circulação nas ruas foi restringida das 20h às 6h.

As medidas foram anunciadas pelo governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu depois de saques registrados no fim de semana. Em Paris, estudantes bloquearam o Museu do Louvre nesta segunda. No sábado, enquanto protestos aconteciam no centro da capital, um vídeo mostrou um casal em um café perto do Arco do Triunfo, com uma lixeira em chamas ao fundo.

A onda de manifestações começou no mês passado em escolas de ensino médio nos subúrbios pobres do norte de Paris. A insatisfação com a falta de professores e as condições precárias das instalações se ampliou para uma mobilização nacional contra a desigualdade, os baixos investimentos públicos e o encarecimento da vida.

O balanço informado pelas autoridades é de um manifestante morto, quase mil agentes de segurança feridos e cerca de 2.400 pessoas detidas. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, os 60 mil agentes mobilizados não foram suficientes para conter os manifestantes. O presidente Emmanuel Macron reconheceu falhas policiais e pediu explicações a Nuñez; no domingo, havia condenado a violência e dito que autoridades locais poderiam proibir atos, se necessário.

Os protestos também acirraram a disputa política antes da eleição presidencial. A líder da Reunião Nacional, Marine Le Pen, aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto. Lecornu atribuiu os distúrbios à “ultraesquerda”, enquanto Le Pen acusou o partido de Jean-Luc Mélenchon de legitimar a violência. O partido de Mélenchon nega essa acusação.

A Reunião Nacional defende ampliar e fortalecer a polícia e usa o discurso de “lei e ordem” como parte de sua atuação política. O debate ocorre em meio a um cenário interno fragmentado e a dificuldades para equilibrar as contas públicas. A violência pode influenciar a campanha, mas o impacto dependerá, entre outros fatores, da continuidade dos protestos.

Para entender

Coletes Amarelos
Movimento de protesto surgido na França em 2018, inicialmente ligado à oposição a medidas sobre combustíveis. As mobilizações passaram a reunir reivindicações mais amplas, incluindo críticas ao custo de vida e às políticas do governo.

Fontes: Folha de S.Paulo, Estadão, Zero Hora

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