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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

França mantém toque de recolher após onda de violência e saques

Mais de 2.500 pessoas foram detidas, e o governo anunciou reforço policial para novos protestos previstos em Paris e outras cidades no sábado.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Policiais patrulham uma rua de Paris à noite, com lojas fechadas após episódios de violência. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Policiais patrulham uma rua de Paris à noite, com lojas fechadas após episódios de violência.
Resumo em 30 segundos

Toques de recolher continuam em bairros de Paris e de outras cidades após confrontos, incêndios e saques durante protestos contra o custo de vida e a falta de recursos para serviços públicos. O governo atribui os episódios mais graves a grupos de extrema esquerda, reforça a segurança e prepara apoio a empresas atingidas.

A França manteve toques de recolher em bairros de Paris e de outras cidades na noite desta terça-feira, 20, pela segunda noite consecutiva, após a onda de violência e saques registrada no fim de semana. O governo atribuiu os episódios mais graves a pequenos grupos de extrema esquerda e anunciou reforço policial diante de novos protestos previstos para sábado, 24 de outubro.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou no Parlamento que esses grupos teriam planejado um “esquema insurrecional” em algumas localidades. Ele citou o incêndio da prefeitura de Limoges como exemplo. Um homem de 34 anos, identificado pela polícia como ligado à extrema esquerda, foi detido sob suspeita de participação no incêndio; a investigação também envolve a subdiretoria antiterrorista da Polícia Judiciária.

A violência ocorreu durante manifestações contra o alto custo de vida e a falta de recursos para serviços públicos. Centenas de milhares de pessoas participaram de protestos pacíficos, mas confrontos, incêndios e saques também atingiram cidades francesas. Segundo o governo, mais de 3 mil lojas foram saqueadas ou danificadas. A matéria informa que cerca de 2.400 pessoas foram presas durante o fim de semana; nesta terça, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, disse que o total de detidos havia ultrapassado 2.500 e que 123 estavam presos, à espera de julgamento ou cumprindo condenações.

Os primeiros processos relacionados aos episódios mais graves começaram a ser julgados nesta terça. Um trabalhador temporário de 21 anos, identificado como Manuel, recebeu pena definitiva de dois meses de prisão. Ele disse que foi a Paris para comemorar o aniversário com a namorada e que carregava garrafas, panos e um isqueiro para organizar um churrasco. A acusação apontou que os objetos poderiam ser usados para fabricar coquetéis Molotov, e vídeos encontrados em celulares mostram o jovem tentando lançar artefatos incendiários.

A polícia também analisa gravações publicadas nas redes sociais para identificar suspeitos de saques. As imagens são examinadas no Centro de Coordenação Operacional de Segurança, em Paris, e as informações obtidas são encaminhadas aos investigadores. Lecornu descreveu os saqueadores como “criminosos oportunistas”.

As restrições noturnas têm o objetivo de evitar a formação de novos grupos e reduzir a ocorrência de saques. A medida não deve impedir a partida da Liga dos Campeões entre Paris Saint-Germain e Barcelona, marcada para esta terça-feira na capital. O governo anunciou um esquema policial “massivo” para o próximo sábado, quando os coletes amarelos e estudantes do ensino médio convocaram novos atos.

O governo também prepara medidas para apoiar empresas atingidas, incluindo mecanismos para reduzir ou suspender temporariamente atividades com compensação salarial financiada pelo Estado e recursos para necessidades imediatas de caixa. Os detalhes de financiamento e distribuição ainda não foram apresentados. As seguradoras também devem cobrir parte dos prejuízos.

Os protestos estudantis começaram no mês passado em escolas de subúrbios ao norte de Paris, com queixas sobre falta de professores e instalações deterioradas, e se ampliaram para reivindicações relacionadas ao custo de vida e aos serviços públicos. O governo prometeu enviar cerca de 3 mil professores qualificados que ainda não começaram a trabalhar para ocupar vagas existentes. As escolas estão em recesso por duas semanas; sindicatos convocaram greves para 5 de novembro contra cortes orçamentários e em defesa de aumentos salariais.

Para entender

Coletes amarelos
Movimento de protesto surgido na França em 2018, cujo nome vem dos coletes de alta visibilidade usados por muitos participantes. As manifestações reuniram reivindicações variadas, incluindo críticas ao custo de vida e às políticas do governo.

Fontes: Zero Hora, Valor Econômico

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