Prefeitura de São Paulo confirma exposição de dados do Smart Sampa
Credenciais, registros de agentes e código-fonte ficaram acessíveis por 11 meses; o MP-SP avalia se há elementos para abrir inquérito civil.
Resumo em 30 segundos
A Prefeitura de São Paulo confirmou que dados do Smart Sampa ficaram expostos na internet por 11 meses. Entre as informações estavam 181 credenciais, registros de cerca de seis mil agentes e o código-fonte. Um agente autorizado foi afastado e é investigado. O Ministério Público analisa se abre inquérito civil.
A Prefeitura de São Paulo confirmou nesta terça-feira (20) que dados do Smart Sampa, sistema municipal de monitoramento por câmeras, ficaram expostos na internet por 11 meses. Um agente de segurança com acesso autorizado à plataforma foi afastado e é investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana (GCM) por suspeita de divulgar credenciais e informações do sistema.
A exposição envolveu 181 logins e senhas, registros de cerca de seis mil agentes e o código-fonte, segundo informações sobre o caso. As credenciais poderiam abrir acesso ao painel conectado a mais de 58 mil câmeras públicas e privadas da capital, incluindo equipamentos em hospitais, unidades de saúde, escolas e creches. A Prefeitura afirma que não houve ataque cibernético ao sistema nem registro de uso indevido por terceiros.
O prefeito Ricardo Nunes disse que a administração já monitorava o servidor e mantinha a exposição como uma “isca” para identificar possíveis acessos irregulares. “A prefeitura tinha conhecimento, vinha monitorando, numa espécie de isca, para saber se teria algum acesso ali irregular, para atuar de forma efetiva”, afirmou. Nunes declarou que não houve utilização indevida do sistema e o classificou como “absolutamente seguro”.
Após a identificação do caso, o repositório com os dados foi retirado do ar. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana também implementou exigências de senhas exclusivas, autenticação em duas etapas e validação de novos acessos por códigos enviados por SMS. A Prefeitura prevê ainda que os operadores façam recadastramento presencial com reconhecimento facial em até três meses.
O Ministério Público de São Paulo instaurou uma notícia de fato para analisar o episódio. O procedimento ainda não é uma investigação formal: o promotor responsável deverá avaliar se há elementos para abrir um inquérito civil. Organizações de direitos humanos, digitais e de saúde pública também pediram à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que fiscalize o caso e avalie medidas contra a Prefeitura e a empresa Sentinelx, responsável pela tecnologia.
O Smart Sampa reúne imagens de câmeras e usa inteligência artificial para reconhecimento facial, localização de pessoas desaparecidas e identificação de veículos com registros de roubo ou furto. A Prefeitura afirma que o sistema compara imagens com bases oficiais e não cadastra cidadãos comuns. Também diz que as câmeras em prédios públicos filmam áreas de circulação, não consultórios nem salas de atendimento.
A administração informa que o programa é fiscalizado pelo Tribunal de Contas do Município e passa por auditorias e testes de segurança. O episódio reacendeu questionamentos sobre a proteção das credenciais e o controle de acesso a uma rede que concentra imagens de diferentes pontos da cidade.