Prefeitura de São Paulo apura exposição de dados do Smart Sampa
Servidor com acesso autorizado foi afastado, enquanto a gestão nega falha na plataforma e afirma ter reforçado a proteção com autenticação em dois fatores.
Resumo em 30 segundos
A Prefeitura de São Paulo investiga a divulgação ilegal de dados e imagens ligados a mais de 58 mil câmeras conectadas ao Smart Sampa. Um servidor com acesso ao sistema foi afastado e é investigado pela Corregedoria da GCM. A gestão diz que retirou o repositório do ar e reforçou a segurança da plataforma.
A Prefeitura de São Paulo investiga o vazamento de dados do Smart Sampa, sistema municipal de câmeras de segurança, depois que informações e imagens de equipamentos conectados à plataforma ficaram acessíveis na internet. A administração afirma que um servidor com acesso autorizado divulgou os dados ilegalmente e diz que ele foi afastado enquanto é investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
O vazamento envolveu dados de imagens de mais de 58 mil câmeras, segundo a apuração que revelou o caso. O sistema reúne cerca de 50 mil equipamentos públicos e privados, de acordo com a Prefeitura. As câmeras estão instaladas em diferentes pontos da cidade, incluindo ruas, escolas, creches e hospitais.
A administração municipal negou que tenha ocorrido uma falha de segurança na plataforma. Em nota, afirmou que o responsável era um dos mais de 7.500 agentes de segurança com acesso ao sistema e classificou a divulgação como um “ato criminoso”. A Prefeitura também informou que o repositório público onde os dados foram disponibilizados foi retirado do ar e que não havia nele menção a senhas de acesso.
Após o episódio, a gestão municipal disse ter reforçado a proteção do Smart Sampa, com senhas exclusivas e autenticação em dois fatores. Esse recurso exige uma segunda etapa de confirmação além da senha, como medida para dificultar acessos não autorizados.
O Smart Sampa usa câmeras e ferramentas de inteligência artificial para identificar ocorrências. Quando o sistema detecta um suspeito ou um crime, utiliza a localização das viaturas para indicar a equipe mais próxima e encaminha imagens aos agentes na rua. A Prefeitura afirma que o programa contribuiu para a captura de 3.628 foragidos e a localização de 284 pessoas desaparecidas.
A operação custa até R$ 10 milhões por mês, segundo os dados divulgados pela administração municipal. O sistema é uma das principais iniciativas de segurança da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
O caso também reacende discussões sobre proteção de dados e fiscalização de tecnologias de vigilância. Especialistas citados no debate reconhecem possíveis usos da tecnologia na segurança, mas apontam riscos como identificações imprecisas, abordagens indevidas e violações de privacidade. O reconhecimento facial, em particular, exige controles sobre como as imagens são tratadas e quem pode acessá-las.