Cine Dom José busca incentivo de R$ 4,2 milhões para reforma
O imóvel está entre 24 inscritos em programa municipal que pode subsidiar até 25% das obras, mas a inscrição não garante o valor pedido.
Resumo em 30 segundos
O antigo Cine Dom José, também conhecido como Cine Jussara, pediu R$ 4,2 milhões à Prefeitura de São Paulo para obras de restauração e reforma. A proposta integra uma lista de 24 imóveis inscritos em programa municipal, que dispõe de até R$ 200 milhões nesta edição. Os projetos passarão por avaliação técnica.
O antigo Cine Dom José, na rua Dom José de Barros, no centro de São Paulo, está entre os 24 imóveis inscritos para receber incentivos da Prefeitura destinados a obras de restauração e reforma. O grupo Tokyo, proprietário do espaço, pede R$ 4,2 milhões para o projeto, que integra propostas de reativação de cinemas de rua na região central.
A lista de inscritos foi publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira. O programa municipal prevê subsídios que podem cobrir até 25% do custo das obras, com um total de até R$ 200 milhões disponível nesta edição. Os pedidos somam R$ 98,1 milhões; a inscrição, porém, não garante o recebimento do valor solicitado.
O Cine Dom José, também conhecido como Cine Jussara, fica ao lado da Galeria Olido, em uma área que já concentrou salas de cinema. O espaço funcionou mais recentemente como cinema voltado ao público adulto e foi esvaziado para gravações de um filme. Durante esse período, foram identificados problemas de conservação, incluindo infiltrações.
Apesar do uso predominante como cinema adulto, o imóvel também recebeu atividades culturais pontuais. Entre elas estão uma peça de teatro apresentada no ano passado e eventos da Virada Cultural. O edifício, projetado nos anos 1950 por Alfredo Mathias e Giancarlo Palanti, foi anteriormente sede da Sociedade Germânia, entidade que deu origem ao atual Clube Pinheiros.
A proposta para o Cine Dom José faz parte de um conjunto de iniciativas que buscam dar novos usos a prédios históricos ou reabrir salas desativadas. O pedido de incentivo está sujeito à análise técnica da Prefeitura, que vai classificar os projetos conforme critérios como sustentabilidade, benefício urbanístico, destinação e valorização do patrimônio cultural.
Entre os pedidos relacionados a cinemas, a organização Viva do Brasil solicitou R$ 4,3 milhões para reabrir o Cine Ipiranga, na avenida Ipiranga, e R$ 3,6 milhões para o Cine Copan. A exibição de filmes está prevista como atividade principal nos dois espaços. O Cine Ipiranga, projetado por Rino Levi, foi inaugurado em 1943 e teve sua última sessão em 2005.
O Cine Copan, no edifício projetado por Oscar Niemeyer, deverá ser remodelado como centro cultural conectado à Galeria Pivô. A reabertura foi anunciada em 2025. O local deixou de exibir filmes nos anos 1990, funcionou como igreja durante alguns anos e permaneceu fechado por quase duas décadas. Em 2026, recebeu sessões de teatro e festas antes do início das obras.
O programa também recebeu propostas para prédios de antigos bancos, hotéis, imóveis públicos, uma igreja e construções residenciais ou comerciais. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), por exemplo, apresentou três inscrições. Uma prevê transformar o Palacete do Carmo, perto da praça da Sé, em um complexo com centro de memória, inovação e educação, além de moradias e comércio no térreo; o pedido é de R$ 28,2 milhões.
Outras duas propostas da CDHU são para edifícios usados pela Desenvolve SP, na rua da Consolação, e pelo Serviço Estadual de Acolhida Emergencial, na praça da Sé. Os pedidos são de R$ 4,6 milhões e R$ 3 milhões, respectivamente, e preveem a produção de apartamentos populares. No total, metade das inscrições inclui uso residencial, e seis delas contemplam habitação popular.
A relação inclui ainda um pedido de R$ 12 milhões para transformar em hotel a antiga sede do Banco de São Paulo, na praça Antônio Prado. A inscrição está em nome da Somauma. Já o Hotel Jaraguá, que continuará funcionando como hotel, pede R$ 6 milhões para obras; o edifício foi projetado por Franz Heep e Jacques Pilon e tem um mural de Di Cavalcanti.
Para que o incentivo seja liberado, os responsáveis precisam apresentar a documentação exigida, comprovar recursos para custear a parte da obra que não será subsidiada e cumprir os prazos de execução. O uso aprovado deve ser mantido por pelo menos dez anos. O valor concedido pode ser diferente do solicitado, pois será calculado após a avaliação e o ranqueamento dos projetos.
Nas três edições anteriores, realizadas de 2023 a 2025, o programa pagou R$ 11,9 milhões, segundo balanço recente, e concedeu ao todo R$ 67,5 milhões. A edição atual ampliou as regras para permitir inscrições de imóveis com vários proprietários e incluir equipamentos culturais com acesso pelo térreo, sem exigir reforma do edifício inteiro.