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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Porto tem lucro recorrente menor e ações caem após balanço

A companhia lucrou R$ 713 milhões no terceiro trimestre, queda anual de 14%, e elevou a previsão de perdas de crédito do Porto Bank para 2026.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Prédio comercial de uma empresa de seguros em uma avenida de São Paulo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Prédio comercial de uma empresa de seguros em uma avenida de São Paulo.
Resumo em 30 segundos

A Porto registrou lucro líquido recorrente de R$ 713 milhões no terceiro trimestre, recuo de 14% em um ano, e as ações caíam durante o pregão. Perdas maiores no Porto Bank e alta da sinistralidade na Saúde pressionaram o resultado. A empresa também reduziu projeções para algumas linhas de 2026.

As ações da Porto recuavam nesta quinta-feira (5), após a companhia divulgar lucro líquido recorrente de R$ 713 milhões no terceiro trimestre, queda de 14% em relação a um ano antes. Por volta das 14h40, os papéis PSSA3 eram negociados a R$ 43,54, com baixa de 3,07%. O balanço mostrou crescimento de receitas, mas pressão sobre a rentabilidade em áreas como crédito e saúde.

No Porto Bank, as perdas com crédito aumentaram 48%, para cerca de R$ 843 milhões. A companhia atribuiu o cenário mais adverso à carteira e adotou uma postura mais conservadora na constituição de provisões, recursos reservados para cobrir possíveis calotes. O lucro da vertical caiu 13%, para R$ 171 milhões.

A Porto revisou para cima a estimativa de perdas de crédito do banco em 2026. A projeção passou de R$ 3,1 bilhões a R$ 3,5 bilhões para uma faixa entre R$ 3,4 bilhões e R$ 3,8 bilhões. A expectativa de receita total do Porto Bank também foi reduzida: agora está entre R$ 7,5 bilhões e R$ 7,9 bilhões, ante R$ 7,7 bilhões a R$ 8,1 bilhões.

Na Porto Saúde, a sinistralidade chegou a 82%, alta de 4,7 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2025. O indicador mede a parcela da receita consumida por despesas assistenciais; quanto maior, mais custos pressionam o resultado. O lucro da vertical recuou 34%, para R$ 84 milhões.

A estimativa de crescimento dos prêmios da Saúde em 2026 também caiu. A Porto agora projeta avanço de 12% a 16%, ante a faixa anterior de 14% a 22%. Prêmios são os valores pagos pelos clientes pela contratação de seguros e planos.

O resultado financeiro do grupo diminuiu cerca de 19%, para aproximadamente R$ 309 milhões. A companhia relacionou o desempenho ao menor carrego do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no trimestre e ao resultado da carteira de renda variável, abaixo do Ibovespa. Para 2026, a projeção dessa linha foi reduzida de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,8 bilhão para R$ 1,1 bilhão a R$ 1,5 bilhão.

A Porto também alterou a estimativa da alíquota efetiva de impostos, mas nesse caso a revisão pode aliviar parte da pressão sobre o lucro. A faixa passou de 23% a 27% para 17% a 21%.

A operação de seguros gerais teve resultado mais estável. A Porto Seguro registrou lucro líquido de R$ 443 milhões, queda de 2% na comparação anual, enquanto receitas e prêmios cresceram 9%, para R$ 6,2 bilhões. No seguro de automóveis, os prêmios emitidos avançaram 10%, para R$ 4,5 bilhões, e a frota segurada chegou a 6,5 milhões de veículos, 264 mil a mais que um ano antes.

A sinistralidade da Porto Seguro subiu de 58,2% para 59,1%. O índice combinado ampliado, que reúne gastos com sinistros e despesas em relação aos prêmios ganhos, aumentou 0,9 ponto percentual, para 90,5%. Já a Porto Serviço registrou lucro de R$ 52 milhões, alta de 34%, e receita de R$ 660 milhões, crescimento de 9%.

O presidente da Porto, Paulo Sérgio Kakinoff, afirmou que o crescimento das vendas e o efeito sobre o lucro não ocorrem necessariamente no mesmo período. “O que está sendo contratado agora se reflete no crescimento de 10% da nossa receita. Já o lucro é aferido sobre vendas que tivemos em trimestres anteriores”, disse.

Para entender

Sinistralidade
Indicador que compara as despesas assistenciais de uma seguradora ou operadora de saúde com a receita de prêmios. Uma taxa mais alta significa que uma parcela maior da receita foi consumida pelos custos de atendimento, o que pode pressionar a rentabilidade.
Provisões para perdas de crédito
Valores que instituições financeiras reservam para cobrir perdas esperadas quando clientes deixam de pagar empréstimos ou outras obrigações. A constituição dessas provisões afeta o resultado financeiro da instituição.

Fontes: Estadão

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