Porto lucra R$ 839 milhões no terceiro trimestre de 2026
O lucro recorrente caiu 14%, e a companhia reduziu projeções para o ano diante de maiores perdas de crédito e de um resultado financeiro menor.
Resumo em 30 segundos
A Porto teve lucro líquido de R$ 839 milhões no terceiro trimestre, alta anual de 1%, mas o resultado recorrente recuou 14%, para R$ 713 milhões. A receita cresceu 10%, enquanto perdas de crédito no Porto Bank e sinistralidade na saúde pressionaram os resultados. A companhia revisou projeções para 2026.
A Porto registrou lucro líquido de R$ 839 milhões no terceiro trimestre, alta de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado recorrente, que exclui efeitos não considerados regulares pela companhia, caiu 14%, para R$ 713 milhões, pressionado pela redução do resultado financeiro, pelo aumento das perdas de crédito no Porto Bank e pela maior sinistralidade na área de saúde. A empresa também revisou para baixo projeções para 2026.
A receita total cresceu 10% na comparação anual e chegou a R$ 11 bilhões, com avanço em todas as divisões. Já o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), indicador que relaciona o lucro ao capital dos acionistas, recuou 5,4 pontos percentuais, para 17,6%.
O resultado financeiro diminuiu 19%, para R$ 309 milhões. A administração atribuiu a queda principalmente ao baixo carrego do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no trimestre, que afetou títulos contabilizados pela curva de juros, e ao desempenho da carteira de renda variável, inferior ao do Ibovespa. A carteira de aplicações financeiras sob gestão da tesouraria, excluídas previdência e gestão de ativos e passivos, gerou R$ 355 milhões, equivalente a 63% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).
A área de seguros, a maior parcela dos negócios, somou R$ 6,2 bilhões em receitas e prêmios, crescimento de 9%. O segmento de automóveis avançou 10%, com a inclusão de 264 mil veículos e uma frota segurada de 6,5 milhões. Seguros patrimoniais cresceram 9%, enquanto os de vida tiveram alta de 2%.
O presidente-executivo da Porto, Paulo Kakinoff, afirmou que a diferença entre a expansão da receita e a redução do lucro está ligada ao momento em que cada indicador é reconhecido. Segundo ele, a receita reflete os prêmios emitidos, enquanto o lucro depende dos prêmios retidos. “O que nós estamos vendo no terceiro trimestre [no lucro] é o reflexo de um mercado mais adverso de vendas que tivemos no final do ano passado, em contraste com o ritmo que estamos vendo atualmente, que é significativamente superior”, disse.
No Porto Bank, as perdas de crédito subiram 48%, para R$ 843 milhões. A empresa relacionou o aumento ao cenário mais difícil para o crédito e a uma gestão de risco mais conservadora, que levou à ampliação de provisões. Provisões são valores reservados para cobrir perdas esperadas quando clientes deixam de pagar dívidas. A companhia afirmou que medidas para melhorar a qualidade da carteira começam a aparecer nos indicadores, mas mantém cautela diante do cenário econômico.
O diretor de relações com investidores, Domingos Falavina, disse que houve melhora na formação da inadimplência, mas que o indicador de atrasos superiores a 90 dias “continua pressionada e subindo”. Ele afirmou que a alta da curva de juros e a postura mais cautelosa da empresa influenciaram a revisão das provisões previstas para 2026, com o objetivo de manter maior cobertura em 2027.
Na Porto Saúde, a receita aumentou 12%, para R$ 2,5 bilhões, acompanhando a expansão no número de beneficiários de planos de saúde e odontológicos. A sinistralidade — proporção da receita usada para pagar atendimentos e procedimentos — subiu 4,7 pontos percentuais, para 82%. A companhia atribuiu dois terços da alta a problemas na cadeia de atendimento oncológico ligados a dificuldades operacionais na Oncoclínicas, prestadora de serviços, e a uma sazonalidade atípica entre o segundo e o terceiro trimestres. O diretor financeiro, Celso Damadi, afirmou que houve aumento incomum de internações eletivas em julho.
A Porto Serviço foi a única divisão com crescimento do lucro: alta de 34%, para R$ 52 milhões. Sua receita avançou 9%, para R$ 660 milhões, impulsionada por parcerias estratégicas e iniciativas próprias. Nas demais áreas, o lucro caiu: 2% na Porto Seguro, para R$ 443 milhões; 13% no Porto Bank, para R$ 171 milhões; e 34% na Porto Saúde, para R$ 84 milhões.
Para 2026, a companhia elevou a faixa prevista de perdas de crédito do Porto Bank para R$ 3,4 bilhões a R$ 3,8 bilhões, ante intervalo anterior de R$ 3,1 bilhões a R$ 3,5 bilhões. A projeção de receita da divisão passou de R$ 7,7 bilhões a R$ 8,1 bilhões para R$ 7,5 bilhões a R$ 7,9 bilhões. Na saúde, a expectativa de crescimento dos prêmios ganhos foi reduzida de 14% a 22% para 12% a 16%.
A estimativa para o resultado financeiro do grupo também caiu, de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,8 bilhão para R$ 1,1 bilhão a R$ 1,5 bilhão. A Porto ainda revisou a taxa efetiva esperada para uma faixa de 17% a 21%, ante 23% a 27% anteriormente.