Investidores estrangeiros retiram R$ 12,4 bilhões da bolsa
As saídas começaram em 22 de outubro e seguiram por oito pregões; em 26 de outubro, a B3 acionou o circuit breaker após forte queda do Ibovespa.
Resumo em 30 segundos
Investidores estrangeiros retiraram R$ 12,4 bilhões da B3 em oito pregões até 3 de novembro, enquanto investidores institucionais sacaram cerca de R$ 4,8 bilhões entre 26 de outubro e 3 de novembro. Em 26 de outubro, o Ibovespa caiu 13,88% e a bolsa interrompeu as negociações por 30 minutos. Outubro terminou com saldo estrangeiro positivo de R$ 8,6 bilhões.
Investidores estrangeiros retiraram R$ 8,4 bilhões da B3, a bolsa brasileira, entre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e terça-feira (3), último dado disponível. A saída começou antes, em 22 de outubro, véspera do segundo turno, e somou R$ 12,4 bilhões em oito pregões consecutivos até 3 de novembro.
No mesmo intervalo, investidores institucionais sacaram cerca de R$ 4,8 bilhões. Com isso, as retiradas dos dois grupos superaram R$ 17 bilhões entre 26 de outubro e 3 de novembro. A pressão sobre as ações ocorreu após a disputa eleitoral se estreitar, segundo as pesquisas citadas por analistas do BTG Pactual.
“Na semana que antecedeu o segundo turno, os investidores estrangeiros retiraram aproximadamente R$ 4 bilhões. Após a vitória do presidente Lula no segundo turno, as vendas estrangeiras iniciadas na semana anterior continuaram”, escreveram os analistas em relatório.
A bolsa teve um primeiro pregão de alta após seis sessões negativas na quarta-feira (4), quando o Ibovespa avançou 1,23%. A valorização foi associada à vitória democrata nas eleições dos Estados Unidos e à possibilidade de Lula anunciar medidas de ajuste fiscal.
Desde 22 de outubro até 4 de novembro, o Ibovespa acumulou queda de 18,3%. O principal recuo ocorreu na segunda-feira (26), quando o índice caiu 13,88%, a terceira maior baixa diária desde 2000, de acordo com dados da B3.
Na abertura daquele pregão, a projeção para o índice apontava perda de 10,47%. Por isso, a bolsa acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando a oscilação do Ibovespa alcança determinados limites. A suspensão durou 30 minutos e atingiu negócios à vista, opções e títulos de renda fixa privada.
As regras preveem interrupção quando a queda chega a 10% e, se o mercado voltar a recuar, um novo limite de 15%. Depois da reabertura, o Ibovespa chegou a perder 17,34%, mas a B3 não suspendeu os negócios novamente. A bolsa avaliou que a primeira pausa havia reduzido o estresse indicado pelo mercado futuro e que uma nova interrupção dependeria de movimento consistente em direção ao limite de 20%.
Foi a 24ª vez que o circuit breaker foi acionado desde sua criação, em 1997, e a primeira desde a pandemia de Covid-19, em 2020. O mecanismo busca conter movimentos abruptos e dar tempo para que investidores assimilem informações e reavaliem ordens. A queda de 26 de outubro ocorreu em um contexto de forte volatilidade após a eleição.
As perdas também marcaram o resultado de outubro. O Ibovespa recuou 9,9% em reais e 14,3% em dólares, enquanto os juros futuros subiram até 265 pontos-base, os juros de longo prazo superaram 15,3% ao ano e o dólar avançou 7,1%.
Apesar das retiradas no fim do mês, outubro fechou com entrada líquida de R$ 8,6 bilhões de investidores estrangeiros. O fluxo havia sido impulsionado por um ingresso recorde de R$ 10,06 bilhões em um único dia, 5 de outubro; as saídas a partir do dia 22, de cerca de R$ 11,9 bilhões, não anularam esse saldo.
A queda levou instituições financeiras a rever estratégias. A XP Investimentos reduziu sua recomendação para ações brasileiras de otimista para neutra e estabeleceu valor justo de 200 mil pontos para o Ibovespa ao fim de 2027. A projeção representa potencial de alta de 19%, equivalente ao retorno estimado para a renda fixa local no período. No BTG Pactual, estrategistas também reduziram o risco de algumas carteiras com ações.
Para entender
- Circuit breaker
- Mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa atinge determinados limites de queda. A pausa busca conter movimentos abruptos e dar tempo para que os participantes do mercado assimilem informações e reavaliem suas ordens.
- Ibovespa
- Principal índice de ações da bolsa brasileira. Ele acompanha o desempenho de uma carteira teórica de ativos negociados na B3 e é usado como referência para medir a variação do mercado acionário do país.