Polícia Federal faz buscas por patrimônio oculto na Operação Unha e Carne
A nona fase cumpriu quatro mandados na Barra da Tijuca e apura se imóveis, aeronaves, carros de luxo e empresas foram usados para ocultar bens.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca na Barra da Tijuca, em nova fase da Operação Unha e Carne. Três endereços estão ligados ao pastor Márcio Poncio, e outro pertence a Bernardo Coutinho Loyola. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio por meio de bens, empresas e terceiros.
A Polícia Federal deflagrou a nona fase da Operação Unha e Carne, no Rio de Janeiro, com quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca. A etapa investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, além do uso de empresas e terceiros para esconder a propriedade de bens e valores. Três dos endereços vistoriados são salas comerciais ligadas ao pastor Márcio Poncio, preso desde julho; o quarto pertence a Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.
A investigação desta fase começou com a análise de informações obtidas após a quinta etapa da operação. Segundo a Polícia Federal, foram identificados indícios de uma rede patrimonial que envolveria imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, carros de luxo e empresas registradas em nome de familiares e de pessoas sem vínculo formal com o núcleo investigado. As buscas procuram reunir elementos sobre a titularidade e a movimentação desses bens.
Poncio foi preso na quinta fase, sob suspeita de integrar a chamada máfia do cigarro. Adilsinho está preso desde fevereiro e é apontado como chefe do grupo criminoso. A nova etapa amplia o foco da operação para possíveis mecanismos de ocultação patrimonial ligados aos investigados, além das suspeitas que deram origem a ações anteriores.
A oitava fase, realizada duas semanas antes da publicação da reportagem, levou à prisão preventiva de seis pessoas e incluiu 16 mandados de busca em sete municípios: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Entre os presos estavam o deputado estadual Márcio Canella e Marcus Amim, que ocupou cargos na segurança pública fluminense, entre eles os de secretário de Polícia Civil e presidente do Detran-RJ.
Canella foi detido no condomínio onde mora, na Barra da Tijuca. Ele recebeu mais de 197 mil votos nas eleições de 2026 e foi o segundo deputado estadual mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio. Amim foi preso em Icaraí, bairro de Niterói. As prisões integram a investigação sobre lavagem de dinheiro.
Na sétima fase, a PF prendeu o vereador Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, que usa o nome político Jorge Canella por sua proximidade com Márcio Canella. Os dois não são parentes. O vereador foi detido em flagrante no fim de setembro, depois que agentes encontraram dois fuzis e uma submetralhadora em sua casa, na Zona Sudoeste do Rio. A PF afirmou que o armamento estava “em desacordo com a previsão legal” e que ele deveria responder por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
A sexta etapa teve como alvo Márcio Canella após a localização de um fuzil em seu carro, em 7 de julho. Ele ficou preso em Bangu Oito, no Complexo de Gericinó, e foi solto em seguida. O delegado Marcus Amim também foi alvo da PF nessa fase. Já a quinta fase partiu de uma lista de propina que, segundo a investigação, teria sido paga por Adilsinho. O documento conteria ao menos 20 nomes, entre eles políticos; Poncio foi preso e o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral foi alvo de busca e apreensão.
As etapas anteriores também alcançaram agentes públicos e políticos. Na quarta fase, o deputado estadual Thiago Rangel foi preso em 6 de maio, acusado, com outras seis pessoas, de integrar uma organização criminosa envolvida em fraudes na compra de materiais e na contratação de serviços para reformas vinculadas à Secretaria estadual de Educação.
A terceira fase levou Rodrigo Bacellar à prisão pela segunda vez, em 27 de março, em Teresópolis. A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes apontava indícios de vazamento de informações para atrapalhar uma operação contra o Comando Vermelho. Na segunda fase, a PF prendeu o desembargador Macário Júdice Neto, relator do caso TH Joias no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, depois de identificar mensagens entre ele e Bacellar no celular do ex-presidente da Alerj.
A primeira fase decorreu da Operação Zargun, que prendeu o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. A PF afirmou que Bacellar teria repassado a ele informações sobre a ação policial. As investigações apontavam TH Joias como possível elo político entre o Comando Vermelho e o Legislativo fluminense.