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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Operação Unha e Carne prende Márcio Canella e Marcus Amim

A oitava fase da ação da PF investiga suspeita de lavagem de dinheiro em uma rede de postos que teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Viaturas policiais diante de um posto de combustíveis durante uma investigação no Rio de Janeiro. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Viaturas policiais diante de um posto de combustíveis durante uma investigação no Rio de Janeiro.
Resumo em 30 segundos

A Polícia Federal prendeu Márcio Canella, deputado estadual eleito, o delegado Marcus Amim e quatro policiais civis na oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis. O STF também determinou o sequestro de bens e a suspensão de atividades de 112 empresas.

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), o delegado Marcus Amim e quatro policiais civis na oitava fase da Operação Unha e Carne. As prisões preventivas, determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ocorreram no Rio de Janeiro e em Niterói.

A investigação apura uma organização suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio para lavar dinheiro. Segundo a Polícia Federal, o esquema teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos. Moraes também determinou o sequestro de bens e a suspensão das atividades de 112 empresas, 96 delas postos, além de 16 mandados de busca e apreensão.

Além de Canella e Amim, foram presos os inspetores Pablo Jukia Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, José Carlos Alves de Souza Júnior e os irmãos Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes. A operação também investiga suspeitas de corrupção e formação de cartel, entre outros crimes, segundo informações divulgadas sobre a ação.

Canella foi preso em casa, na Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio. Ele foi eleito deputado estadual com 197.178 votos e havia sido prefeito de Belford Roxo. Renunciou ao cargo em abril para disputar uma vaga no Senado, mas desistiu da candidatura e voltou a concorrer à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Quase 68% dos votos que recebeu vieram de Belford Roxo.

Em julho, durante a sexta fase da operação, Canella foi alvo de busca e preso em flagrante após a polícia encontrar um fuzil em seu carro. Seus advogados disseram na ocasião que a arma era legalizada e registrada em nome do policial militar que fazia sua segurança. Moraes o soltou três dias depois e posteriormente revogou as medidas cautelares. A defesa do parlamentar afirmou nesta quinta-feira que ainda não teve acesso à decisão que determinou a nova prisão.

Amim foi preso em sua casa, em Niterói. Ele comandou a Polícia Civil entre outubro de 2023 e setembro de 2024, depois de presidir o Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ). Canella apoiou sua indicação para a chefia da corporação. Para permitir a nomeação, a Alerj alterou a Lei Orgânica da Polícia Civil, que estabelecia exigências de tempo de atuação para o cargo.

A Polícia Civil informou que sua Corregedoria participa da operação e afirmou que a instituição não tolera desvios de conduta. A corporação disse que adota medidas administrativas e disciplinares diante de indícios de irregularidades e que atua com outros órgãos para apurar os fatos.

A investigação da Operação Unha e Carne começou com suspeitas de vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho. Nesta fase, a apuração se concentra na rede de postos e nas suspeitas de lavagem de dinheiro. A operação está relacionada à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, na qual o STF determinou que a Polícia Federal investigasse possíveis vínculos entre agentes públicos e o crime organizado.

Segundo a Polícia Federal, Pablo Russo seria o proprietário oculto de uma rede de postos, com mais de 80 empresas registradas em nome de parentes. Os irmãos Gaspar Fernandes, também alvos da operação, haviam sido presos em 2011 por suspeita de corrupção e de ligação com tráfico, milícia e exploração de máquinas caça-níqueis. Eles foram condenados em primeira instância, absolvidos na segunda e reintegrados à Polícia Civil.

Para entender

ADPF das Favelas
A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635 é uma ação julgada pelo Supremo Tribunal Federal sobre operações policiais no Rio de Janeiro. Ficou conhecida como ADPF das Favelas e, no contexto citado, envolve a apuração de possíveis vínculos entre agentes públicos e o crime organizado.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo, Zero Hora

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