Polícia Federal descarta drogas em carga de 260 toneladas de madeira
Laudo de perícia criminal deu resultado negativo para entorpecentes; inquérito apura a divergência com os testes rápidos que levaram ao anúncio da apreensão.
Resumo em 30 segundos
A perícia da Polícia Federal não encontrou cocaína nem outros entorpecentes nas amostras de uma carga de 260 toneladas de madeira interceptada na fronteira com a Bolívia. Testes rápidos da Receita Federal haviam indicado resultado positivo. Um inquérito investiga a divergência e a comunicação oficial da apreensão.
A perícia da Polícia Federal concluiu nesta terça-feira (3) que não havia cocaína nem outros entorpecentes em uma carga de 260 toneladas de madeira interceptada na fronteira com a Bolívia durante a operação Timber Shield. A PF abriu um inquérito para apurar como o carregamento foi anunciado pelo governo federal, em junho, como uma apreensão histórica de drogas.
A suspeita surgiu após informações compartilhadas pela agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA) relacionarem a madeira a uma apreensão de 100 toneladas de cocaína no Chile, dias antes. Naquele caso, a droga líquida teria sido injetada nas fibras dos troncos. A carga foi fiscalizada em postos de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e Cáceres, em Mato Grosso.
A Receita Federal usou narcotestes preliminares, que apresentaram reações positivas e levaram ao anúncio da apreensão. Cerca de um mês depois, peritos da PF coletaram amostras em nove pontos da madeira, retirando lascas e serragem com furadeiras e motosserras. Os testes instrumentais em laboratório deram negativo para cocaína e qualquer outro entorpecente. Cães farejadores também não detectaram drogas.
A Receita afirmou que a fiscalização seguiu protocolos internacionais e que técnicos brasileiros, autoridades bolivianas da Aduana e integrantes da força especial contra o narcotráfico obtiveram resultados positivos nos testes rápidos feitos durante a abordagem. O órgão informou que as análises definitivas em Cáceres tiveram resultado negativo, mas que os trabalhos em Corumbá continuam, sob acompanhamento do Ministério Público Federal.
O inquérito da Polícia Federal busca esclarecer a divergência entre os exames preliminares e a perícia definitiva, além de investigar possível comunicação falsa de crime. Entre as hipóteses em apuração estão erro humano, falha nos reagentes químicos ou imprecisão das informações de inteligência. A investigação não significa, por si só, que tenha havido crime: cabe aos investigadores apurar as circunstâncias do anúncio e dos testes.
Os exames preliminares de campo servem para indicar rapidamente se uma amostra pode conter determinada substância, mas não substituem uma análise laboratorial conclusiva. A perícia criminal utiliza métodos técnicos para identificar materiais e produzir laudos que podem subsidiar investigações e processos. No caso da madeira, o laudo da PF apontou resultado negativo nas amostras examinadas, enquanto a apuração sobre os testes e a comunicação oficial segue em andamento.