Polícia do DF prende suspeitos de golpe com falsas doações e deepfakes
A Operação Cáritas investiga fraudes em cinco estados que movimentaram quase R$ 10 milhões com vídeos falsos de artistas, padres e imagens religiosas.
Resumo em 30 segundos
Cinco suspeitos foram presos na Operação Cáritas, que investiga falsas campanhas de doação divulgadas em redes sociais. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, uma empresa ligada ao grupo recebeu mais de 215 mil transações, que somaram R$ 9,8 milhões. A ação também identificou ativos em criptomoedas e apreendeu veículos de luxo.
Cinco suspeitos de integrar um grupo que promovia falsas campanhas de doação com vídeos manipulados por inteligência artificial foram presos nesta quarta-feira, em uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Batizada de Operação Cáritas, a ação ocorreu no Distrito Federal, em Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo e investiga fraudes que movimentaram quase R$ 10 milhões.
Os detidos foram localizados em Planaltina, no Distrito Federal, em Planaltina de Goiás, Uberlândia e Joinville. A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão e de bloqueio de bens e recursos. Os suspeitos são investigados por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a PCDF, o grupo publicava anúncios e vídeos em redes sociais que levavam a páginas falsas de arrecadação. As campanhas usavam imagens de idosos, crianças e pessoas com doenças graves para estimular doações. Também recorriam a deepfakes — vídeos manipulados com inteligência artificial — que simulavam a participação do cantor Gusttavo Lima e dos padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo, além de imagens religiosas, como representações de Jesus Cristo.
Uma empresa ligada à organização recebeu 215.575 transações entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, que somaram R$ 9.839.087,73, de acordo com a polícia. Os pagamentos eram, em sua maioria, de R$ 30 e R$ 50. A corporação ressalva que o número de operações não corresponde necessariamente à quantidade de vítimas, já que uma pessoa pode ter feito mais de uma transferência.
A investigação aponta que os recursos eram enviados a contas controladas pelo grupo e depois movimentados ou dispersados. Os integrantes teriam funções distintas, que incluíam criar ferramentas para as fraudes, administrar perfis em redes sociais, formalizar empresas e movimentar o dinheiro. A polícia também identificou ativos em criptomoedas avaliados em cerca de US$ 400 mil, equivalentes a R$ 2,14 milhões na cotação de quarta-feira, e apreendeu veículos de luxo.
Durante a operação, foram encontrados cerca de 230 gigabytes de arquivos, incluindo vídeos, imagens, roteiros, códigos e bancos de dados usados nas campanhas ou destinados à produção de novos conteúdos. A PCDF também identificou 66 registros de ocorrência relacionados a empresas apontadas como destinatárias de recursos de fraudes eletrônicas, entre elas falsas compras, boletos fraudulentos e investimentos fictícios.