Lula e Flávio encerram propaganda eleitoral antes do segundo turno
Os programas de rádio foram ao ar pela manhã, e as versões para a TV estavam previstas para a tarde; os dois candidatos pediram mobilização até domingo.
Resumo em 30 segundos
As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro encerraram nesta sexta-feira a propaganda eleitoral gratuita para o segundo turno, marcado para domingo. Flávio destacou artistas sertanejos, fé e críticas à economia e à segurança. Lula combinou ataques ao adversário, defesa de seu governo e pedidos de mobilização. Pesquisa Datafolha apontou empate técnico.
As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) encerraram nesta sexta-feira a propaganda eleitoral gratuita com mensagens voltadas à mobilização dos eleitores para o segundo turno, marcado para domingo. Os programas de rádio foram transmitidos pela manhã; as versões para a televisão estavam previstas para a tarde.
Flávio apostou em depoimentos de artistas sertanejos, referências à fé e críticas à economia e à segurança pública. A peça reúne participações de Gusttavo Lima, Marrone e Rodolffo, ex-participante do Big Brother Brasil, além de imagens de viagens do senador pelo país.
O candidato afirmou que a campanha mudou sua percepção do Brasil. “Eu tive uma aula de Brasil com vocês, vocês me levaram para andar pelo Brasil real. Eu aprendi com vocês, eu nunca mais vou ser o mesmo”, disse. O programa também apresenta a eleição como uma escolha entre a continuidade do governo Lula e uma mudança de rumo.
Na área econômica, Flávio criticou o endividamento das famílias e a perda do poder de compra. Sobre segurança, afirmou: “Você vai escolher se vai viver com medo ou se os bandidos é que vão ter medo de nós”. Ao final, pediu que apoiadores conversem com familiares e amigos, convençam eleitores indecisos e os acompanhem até as urnas. Também destacou o sigilo do voto e orientou que não se intimidem diante de pressões.
A propaganda termina com uma oração e uma mensagem religiosa. Nesta semana, em Goiás, Flávio participou de um encontro com artistas que declararam apoio à candidatura. Na ocasião, prometeu retomar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), criado durante a pandemia e encerrado em 2025, depois de alcançar o limite de R$ 15 bilhões em renúncias fiscais. Renúncia fiscal é o valor que o poder público deixa de arrecadar ao conceder benefícios tributários.
O programa de Lula começou com críticas ao adversário e depois passou a um tom de despedida e defesa da continuidade do governo. A campanha citou declarações e posições de Flávio sobre licença-maternidade, privatizações e cortes de gastos, além de mencionar suspeitas relacionadas a milícias, apostas e ao Banco Master. As acusações e interpretações foram apresentadas pela propaganda petista como razões para não votar no senador.
A peça também relacionou a proposta de ajuste fiscal de Flávio à possibilidade de cortes em salários, aposentadorias e programas como Bolsa Família e Farmácia Popular. A campanha criticou ainda o que descreveu como uma tentativa de reverter o fim da escala 6x1 e usou uma fala favorável à privatização da Petrobras para argumentar que a medida poderia elevar os combustíveis.
O deputado André Janones (Rede-MG) apareceu para convocar apoiadores a manter a mobilização até a votação. “Daqui até domingo ninguém dorme, não tem sossego. Avisa pra todo mundo que é vigília 24 horas por dia”, afirmou. No encerramento, Lula defendeu sua gestão e disse que o país avançou, embora ainda tenha desafios. “Tenho dedicado minha vida a lutar por um país mais justo, com oportunidades para todos. Sei que ainda temos muito a avançar, mas o Brasil de hoje é melhor do que o Brasil que encontrei”, declarou.
O presidente também pediu que apoiadores ocupem as ruas e as redes sociais até domingo. Janones voltou a aparecer no fim da peça e incentivou os eleitores a reproduzirem o jingle da campanha em carros e residências.
A eleição chega ao segundo turno em cenário de disputa apertada. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira apontou Flávio com 47% das intenções de voto e Lula com 46%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e eleitores que não escolheram candidato, os dois registraram 50% cada.