Polícia Civil prende sargento da PM em operação contra exploração sexual
Um ex-assessor de Talíria Petrone também foi preso; a investigação apura vídeos de violência sexual e ameaças contra adolescentes.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Civil do Rio prendeu um terceiro-sargento da PM e um ex-assessor da deputada Talíria Petrone em uma operação contra uma rede suspeita de explorar sexualmente adolescentes. Foram cumpridas 18 medidas de busca e apreensão. A investigação apura a produção de vídeos e o uso das imagens para ameaçar e chantagear vítimas.
Um terceiro-sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro e um ex-assessor da deputada federal Talíria Petrone (PSOL) foram presos na quarta-feira, 28, durante uma operação da Polícia Civil contra uma rede suspeita de explorar sexualmente adolescentes. A ação, chamada NXIVM, cumpriu mandados de prisão e 18 medidas de busca e apreensão.
A investigação apura a produção de vídeos de violência sexual contra adolescentes e o uso das imagens para ameaçar e chantagear as vítimas. Segundo a Polícia Civil, os integrantes do grupo se chamavam de “senhores” e tratavam as adolescentes como “escravas”. A corporação afirma que ameaças, agressões físicas e violência psicológica eram usadas para manter as vítimas sob controle e submetê-las a novos abusos.
O policial militar foi preso por ordem cumprida pela Corregedoria Geral da corporação, por meio da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar. Ele também é alvo de inquérito na 74ª DP, em Alcântara. A Secretaria de Estado de Polícia Militar disse que acompanha o caso para avaliar as medidas cabíveis e que adota providências administrativas e disciplinares quando irregularidades são constatadas.
A operação avançou a partir da prisão, em julho, de um assessor do vereador Professor Túlio, em Niterói. Ele é suspeito de abusar de uma adolescente de 16 anos e de integrar o grupo. A análise de celulares e computadores apreendidos em sua casa, junto com imagens de câmeras de segurança, ajudou os investigadores a identificar outros suspeitos, segundo a Polícia Civil.
A investigação começou depois que a adolescente procurou a 74ª DP acompanhada dos pais e relatou as violências. A polícia apura a participação individual dos investigados e busca esclarecer a extensão da rede.
Talíria Petrone informou que determinou a exoneração do assessor citado na investigação. Em nota, afirmou que foi surpreendida com a operação e defendeu que as apurações ocorram “com transparência, rigor e independência”. Também declarou solidariedade à vítima e à família e disse que o caso deve respeitar o devido processo legal.
A prisão do policial ocorre no âmbito de uma investigação criminal; a apuração ainda deve determinar a responsabilidade de cada suspeito. A Polícia Militar informou que acompanha os desdobramentos do inquérito. O caso tramita na 74ª DP, unidade responsável pela investigação.