Túnel do Anhangabaú alaga e governador diz que deveria fechar
Carros e ônibus ficaram ilhados na passagem, no Centro de São Paulo; prefeito Ricardo Nunes afirmou que a chuva não foi prevista e prometeu rever procedimentos.
Resumo em 30 segundos
O túnel do Anhangabaú alagou durante a chuva forte de quarta-feira (14), deixando veículos ilhados. O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a passagem deveria ter sido fechada, enquanto o prefeito Ricardo Nunes disse que o protocolo municipal funcionou e prometeu revisar os procedimentos. A chuva também causou uma morte na Brasilândia.
O túnel do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, alagou durante a chuva forte de quarta-feira (14), deixando carros e ônibus ilhados. Nesta quinta (15), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que a passagem deveria ter sido fechada, enquanto o prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que o protocolo municipal funcionou e que o volume de chuva não foi previsto pelos meteorologistas.
Tarcísio declarou que houve um alerta na quarta-feira, mas que o túnel não foi bloqueado. Segundo o governador, mesmo com bombas para retirar a água, a estrutura não consegue dar conta quando a quantidade que chega supera sua capacidade de escoamento. Historicamente, o local é fechado diante da previsão de chuva forte, mas isso não ocorreu no episódio.
Nunes afirmou que o alagamento começou às 16h10 e que, meia hora depois, a prefeitura já havia enviado caminhões e bombas adicionais para retirar a água. O prefeito disse que a chuva acumulada em poucos minutos correspondeu a 40% do volume previsto para o mês e prometeu revisar os procedimentos, inclusive avaliando ampliar a capacidade das bombas.
O túnel fica na região central da capital e é uma passagem viária sob o Vale do Anhangabaú. Em períodos de chuva intensa, o fechamento preventivo busca reduzir o risco de veículos ficarem presos pela água. O bombeamento ajuda a esvaziar a estrutura, mas não impede o alagamento se o volume de água superar a capacidade do sistema.
A chuva também provocou um deslizamento de terra na Brasilândia, na Zona Norte, que atingiu uma casa e matou uma mulher de 47 anos. O episódio ocorreu em meio a temporais que atingiram a Região Metropolitana de São Paulo.
Na quinta-feira, o governo paulista instalou um gabinete de crise para acompanhar os efeitos do El Niño e antecipou o monitoramento sazonal que costuma ser feito durante a Operação Chuvas, geralmente realizada no verão. A vigilância será contínua até o fim de 2027 e deverá abranger tempestades, ondas de calor, incêndios florestais e períodos de seca.
O gabinete reunirá representantes do governo estadual, concessionárias de água, energia e gás, além das polícias Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros. O estado também anunciou atualizações no painel SP Sempre Alerta, que deverá indicar a direção das chuvas e estimar quando tempestades podem chegar a outros municípios.
O Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil paulista produzirá boletins diários com previsões meteorológicas, classificação de risco por área e alertas. As regiões serão identificadas por cores: verde para observação, amarelo para atenção, laranja para alerta e vermelho para emergência.
Tarcísio afirmou que o governo investiu em resiliência climática e na Defesa Civil, mas ressaltou que a população deve seguir as orientações oficiais durante temporais. Ele disse que as chuvas fortes devem se tornar mais frequentes e que moradores de áreas sujeitas a deslizamentos estão entre os mais expostos aos riscos.
Para esta quinta-feira, a previsão indicava chuva intensa em diferentes regiões do estado, sobretudo na Região Metropolitana, na Baixada Santista e no Vale do Ribeira. Nessas áreas, a expectativa era de acumulados de até 80 milímetros, com possibilidade de ventos fortes, raios e granizo.
Para entender
- Túnel do Anhangabaú
- Passagem viária subterrânea no Centro de São Paulo, sob o Vale do Anhangabaú. Em períodos de chuva intensa, o fechamento preventivo pode reduzir o risco de veículos ficarem presos pela água.