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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

PF registra negociações sobre cotas do Legacy 650 PP-NLR

Uma minuta previa transferir cotas do jato ao escritório Barci de Moraes, enquanto uma funcionária pediu ao Santander que retirasse Flávio Bolsonaro de contas da Alcazar.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Jato executivo branco estacionado na pista de um aeroporto. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Jato executivo branco estacionado na pista de um aeroporto.
Resumo em 30 segundos

Relatórios da Polícia Federal registram negociações distintas envolvendo cotas do Legacy 650, prefixo PP-NLR. Daniel Vorcaro discutiu uma minuta que previa transferir sua participação ao escritório Barci de Moraes como pagamento por serviços jurídicos, mas o acordo não foi assinado. Em outra investigação, uma funcionária de Willer Tomaz pediu ao Santander que retirasse Flávio Bolsonaro do acesso a contas da Alcazar Holdings.

Relatórios da Polícia Federal (PF) registram, em investigações distintas, negociações envolvendo cotas do mesmo avião, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR. Em maio de 2025, Daniel Vorcaro discutiu a transferência de sua participação na aeronave ao escritório Barci de Moraes, enquanto uma funcionária do advogado Willer Tomaz pediu ao Santander que retirasse o senador Flávio Bolsonaro do acesso a contas da empresa Alcazar Holdings, também cotista do jato.

A PF localizou no celular de Vorcaro, então dono do Banco Master, uma minuta de contrato discutida com um auxiliar em 19 de maio de 2025. O documento previa que o escritório de Viviane de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, receberia cotas do avião como pagamento por serviços jurídicos. A proposta não foi formalizada.

Esse seria o segundo contrato negociado entre o banco e o escritório. Um acordo anterior tinha valor de R$ 131 milhões. O material encontrado pela PF não informa se houve prestação de serviços relacionada à minuta das cotas, que permaneceu sem assinatura.

Três dias depois da conversa sobre o contrato, em 22 de maio, uma funcionária de Tomaz enviou mensagem ao Santander pedindo que Flávio Bolsonaro e outra conta fossem desvinculados do perfil de “usuário master” da Alcazar Holdings. O banco confirmou no mesmo dia a retirada dos acessos. A empresa tem sede em Portugal e possuía uma participação no Legacy 650; a Prime You, ligada a Vorcaro, também era cotista.

Segundo a PF, o cadastro como usuário master permitia acesso operacional relevante à conta. Em relatório, os investigadores afirmaram que a documentação de abertura mostrava Flávio nessa condição, que, em princípio, dava nível elevado de gerenciamento. A corporação concluiu que ele poderia movimentar as contas da Alcazar até a solicitação de exclusão.

Flávio afirmou que nunca teve conta como usuário master de Willer Tomaz ou de empresas dele. Em nota, o advogado também negou que o senador tenha administrado, controlado ou figurado como usuário master de contas bancárias da Alcazar.

Em outro arquivo encontrado pela PF, havia uma minuta, datada de março de 2025, sobre a intenção de venda da participação societária da Alcazar na aeronave. Tomaz declarou que as cotas não foram vendidas e que seu desligamento da participação está em discussão em procedimento arbitral. Segundo ele, o processo foi instaurado depois da divulgação pública da ligação entre a Prime You e Vorcaro.

As duas frentes de investigação tratam de suspeitas diferentes: uma envolve Vorcaro e a negociação com o escritório; a outra apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a apostas, com Tomaz entre os investigados. A PF encontrou os e-mails na nuvem da conta do advogado e remeteu essa investigação ao STF no início de outubro, depois de localizar o nome de Flávio no celular de Tomaz.

Tomaz disse que desconhece negociações entre Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, afirmou que nunca fez parte delas e negou conhecer o banqueiro ou ter tratado com ele sobre a venda de ativos da Alcazar. O escritório informou que não comentaria os episódios. O gabinete de Alexandre de Moraes e a defesa de Vorcaro não se manifestaram; a assessoria de Flávio não respondeu aos questionamentos.

O jato já havia aparecido em relatos sobre uma viagem de Flávio aos Estados Unidos na mesma aeronave que Moraes teria usado em outra ocasião. Na época, o senador disse que viajou a convite de Tomaz e que o deslocamento não teve relação com Vorcaro. Flávio e o advogado já declararam publicamente que são amigos.

Para entender

Usuário master
É um perfil de acesso com permissões de gerenciamento em uma conta bancária empresarial. Segundo a PF, a documentação de abertura da conta da Alcazar indicava que Flávio Bolsonaro tinha esse perfil até o pedido para removê-lo.

Fontes: Valor Econômico

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