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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

PF encontra sala oculta em hangar usado por Willer Tomaz

No Aeroporto de Brasília, agentes acharam malas vazias, prateleiras e uma máquina de contar cédulas; nenhum dinheiro foi encontrado no compartimento.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Sala oculta em hangar, com porta metálica, malas vazias, prateleiras e máquina de contar cédulas. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Sala oculta em hangar, com porta metálica, malas vazias, prateleiras e máquina de contar cédulas.
Resumo em 30 segundos

A Polícia Federal encontrou uma sala oculta com porta metálica em um hangar usado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz. O espaço tinha malas vazias, prateleiras e uma máquina de contar cédulas, mas nenhum dinheiro. A PF pretende periciar os itens e apurar quem utilizava o compartimento.

A Polícia Federal encontrou uma sala oculta com porta metálica aparentemente blindada em um hangar do Aeroporto Internacional de Brasília usado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz. A inspeção, feita em agosto durante a Operação Sem Desconto, identificou malas vazias, prateleiras e uma máquina de contar cédulas, mas nenhum dinheiro em espécie.

Os investigadores chegaram ao compartimento depois de receber uma denúncia anônima sobre uma parede falsa no hangar. Segundo relatório da PF, uma inspeção direcionada identificou alterações na estrutura de uma parede de madeira, atrás da qual havia uma porta metálica. O espaço tinha estrutura interna gradeada e compartimentada, descrita pelos agentes como própria para guardar valores.

A PF afirma que os itens encontrados devem passar por perícia e outras análises para aprofundar a investigação. O relatório também aponta a necessidade de apurar se houve retirada de dinheiro durante o período entre a saída e o retorno ao hangar. Os investigadores recolheram material para exames, incluindo impressões digitais, e buscam identificar quem utilizava a sala.

Em nota, Tomaz afirmou que o compartimento e os equipamentos fazem parte da estrutura operacional das empresas para atender companhias de transporte de valores. Segundo ele, o transporte aéreo de dinheiro exige protocolos de segurança, controle e custódia, e a existência de ambientes protegidos, malotes e contadoras de cédulas é compatível com esse serviço.

O advogado classificou como “fantasiosa e beira o ridículo” a insinuação de que o espaço seria usado para guardar ou contar recursos ilícitos. Também disse que não foi encontrada nenhuma quantia no local e criticou a associação dos equipamentos a uma suspeita criminal.

O hangar já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão em 7 de agosto, em uma fase da Operação Sem Desconto. Na ocasião, a PF apreendeu quatro aeronaves — dois helicópteros e dois aviões — e recolheu listas de passageiros e diários de bordo. Os investigadores analisam os registros de voos de aeronaves usadas em serviços de táxi aéreo para identificar quem as utilizava.

A Operação Sem Desconto investiga suspeitas de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a circulação de recursos relacionados ao esquema. Tomaz é investigado sob suspeita de atuar como estrutura financeira, patrimonial e logística para outros envolvidos. A existência da sala, por si só, não comprova a prática de crime.

Em outra frente, a Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro, por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz. O pedido ainda não havia sido convertido em inquérito, e a Procuradoria-Geral da República não tinha se manifestado. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado para analisar o caso.

A campanha de Flávio afirmou que o senador não é investigado no Supremo e que não houve decisão judicial sobre o pedido da PF. O senador já declarou que sua relação com Tomaz é exclusivamente de amizade. A investigação sobre os dois envolve suspeitas relacionadas ao setor de apostas e a viagens à Europa em 2025 pagas por uma empresa ligada ao advogado.

Segundo a PF, Flávio tinha acesso operacional relevante, como usuário master, a uma conta bancária da offshore Alcazar Holding, da qual Tomaz é sócio. Em maio de 2025, foi solicitada a retirada do acesso do senador. Flávio e Tomaz negam irregularidades no caso relacionado às apostas.

Fontes: Folha de S.Paulo, Zero Hora, O Globo

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