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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Receita Federal apreende 3,3 mil canetas emagrecedoras no RS

As canetas emagrecedoras ilegais recolhidas entre janeiro e setembro valem R$ 1,27 milhão; o aumento acompanha a maior entrada desses produtos no país.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Canetas injetáveis sem rótulos sobre uma mesa de inspeção, ao lado de um recipiente de transporte refrigerado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Canetas injetáveis sem rótulos sobre uma mesa de inspeção, ao lado de um recipiente de transporte refrigerado.
Resumo em 30 segundos

A Receita Federal apreendeu 3.306 canetas emagrecedoras no Rio Grande do Sul nos primeiros nove meses de 2026, contra 124 em todo o ano anterior. As unidades foram avaliadas em R$ 1,27 milhão. Especialistas alertam que produtos clandestinos podem não conter os princípios ativos indicados nem ter sido armazenados corretamente.

A Receita Federal apreendeu 3.306 canetas emagrecedoras no Rio Grande do Sul entre janeiro e setembro de 2026, volume avaliado em R$ 1,27 milhão. O total recolhido nos nove primeiros meses do ano é 2.566% maior do que as 124 unidades apreendidas em todo o ano passado; até 2024, não havia registro dessas apreensões no Estado.

O crescimento não decorre de uma operação isolada, segundo Eduardo Rossi Mielke, auditor-fiscal e chefe da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal no Rio Grande do Sul. Ele atribuiu o aumento ao maior volume de produtos que entram ilegalmente no país para atender à demanda dos consumidores.

A alta também aparece nos dados nacionais. No Brasil, a Receita apreendeu 33,3 mil canetas em 2025 e quase 350 mil entre janeiro e setembro de 2026, avaliadas em R$ 117,1 milhões. Os números abrangem medicamentos e produtos destinados ao emagrecimento que circulam irregularmente, mas não indicam que todos tenham a mesma composição ou procedência.

No Estado, as mercadorias chegam por diferentes meios, entre eles encomendas postais e de transportadoras, cargas misturadas a produtos lícitos e veículos de passeio, caminhões e ônibus. A Receita também encontra unidades escondidas em partes dos próprios veículos, como motores e pneus. A fronteira com o Paraguai é uma das principais portas de entrada no país, embora, no Rio Grande do Sul, a distribuição seja mais dispersa.

Mielke afirmou que os produtos podem entrar por via aérea ou ser transportados por estrada. Segundo ele, a fiscalização encontrou canetas em esconderijos incompatíveis com as condições de conservação recomendadas, inclusive dentro de motores. Produtos que exigem refrigeração podem perder qualidade se forem submetidos a temperaturas ou condições inadequadas durante o transporte e o armazenamento.

A Receita ampliou o uso de inteligência para localizar cargas suspeitas. Em vez de depender principalmente de abordagens em rodovias, como ocorria cerca de uma década atrás, o órgão cruza informações e analisa dados de encomendas e cargas. Descrições genéricas ou incompatíveis com o peso, as dimensões, a origem e o percurso de um pacote podem ajudar a orientar as inspeções.

A circulação de medicamentos clandestinos também traz riscos à saúde. Letícia Schwerz Weinert, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Rio Grande do Sul, disse que não há garantia de que as canetas ilegais contenham os princípios ativos indicados, como semaglutida ou tirzepatida. Também não é possível assegurar, nesses casos, que o produto tenha sido transportado e armazenado corretamente.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda que medicamentos sejam comprados apenas em farmácias e drogarias regularizadas. Produtos ilícitos ou conservados de forma inadequada podem estar contaminados, provocar infecções e reações adversas ou comprometer a eficácia do tratamento. A apreensão pela Receita, por sua vez, não permite confirmar a composição de cada unidade recolhida.

As canetas fazem parte de um aumento mais amplo nas apreensões de itens ligados à saúde, à estética e ao cuidado pessoal no Estado. Entre janeiro e setembro, foram recolhidas 13,4 mil unidades de anabolizantes e hormônios, ante 532 em todo o ano de 2025. As apreensões de vitaminas e suplementos passaram de 1,6 mil pacotes no ano passado para 7,2 mil neste ano; as de perfumes subiram de 37,9 mil para 261,1 mil unidades.

No conjunto de mercadorias apreendidas no Rio Grande do Sul, o valor chegou a R$ 114,87 milhões entre janeiro e setembro de 2026, acima dos R$ 101,18 milhões registrados em todo o ano passado. Cigarros tradicionais lideraram em valor: foram quase quatro milhões de maços, avaliados em R$ 26,5 milhões, 52,9% acima do total de 2025.

As apreensões podem envolver contrabando, que é a importação de mercadorias cuja entrada é proibida, ou descaminho, quando produtos permitidos entram sem o pagamento dos impostos devidos. A destinação dos itens depende de suas características e da possibilidade de aproveitamento legal: mercadorias adequadas podem ser doadas, destinadas ao uso público ou leiloadas. Produtos falsificados, sem registro sanitário ou que ofereçam riscos à saúde e à segurança devem ser destruídos.

Fontes: Zero Hora

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