PF pede mais prazo para investigar Lulinha e Roberta Luchsinger
O pedido está sob análise de André Mendonça e busca tempo para concluir diligências sobre viagens, movimentações financeiras e negócios com o governo.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça mais prazo para concluir duas investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Roberta Luchsinger. As apurações envolvem suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negócios com o poder público. Os investigados e a empresa de Cléber Ribas negam irregularidades.
A Polícia Federal (PF) pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça mais prazo para concluir duas investigações sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger. Os inquéritos apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negócios com o poder público; ambos negam irregularidades.
O pedido foi feito em 2 de outubro, quando terminou o prazo inicial de 60 dias, e ainda aguardava decisão. A PF afirma que diligências determinadas seguem em andamento e que seus resultados são necessários para esclarecer os fatos e avaliar se outras medidas investigativas serão necessárias.
Uma das apurações examina suspeitas de intermediação de um contrato ligado à cannabis medicinal no Ministério da Saúde. A outra investiga negócios no governo federal para o empresário Cléber Ribas, cuja empresa obteve contratos de R$ 53 milhões no Ministério do Desenvolvimento Social. Uma terceira investigação envolvendo Lulinha e Roberta tramita no STF sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Entre as medidas solicitadas pela PF estão o levantamento de vínculos societários e movimentações financeiras dos investigados, além da análise de agendas, reuniões e registros de entrada em órgãos públicos. Os investigadores também querem mapear viagens feitas no Brasil e no exterior, identificar quem pagou passagens e serviços turísticos e verificar quando Lulinha e Roberta viajaram juntos ou com outros investigados.
A PF determinou ainda uma análise de viagens a Portugal em junho de 2024. A investigação busca esclarecer se houve relação entre a viagem de Lulinha e Roberta e deslocamentos feitos dias depois por Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e pessoas ligadas a ele. Antunes já havia dito que viajou com Lulinha a Portugal no fim de 2024, em viagem custeada por ele, para avaliar a instalação de uma fábrica de cannabis medicinal.
No caso relacionado a Ribas, a PF também quer cruzar viagens dos investigados e detalhar movimentações bancárias, contratos, reuniões e tratativas. Os levantamentos devem incluir registros de contatos com dirigentes da Dataprev, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e de outros órgãos públicos.
As defesas contestaram as investigações. O advogado de Lulinha afirmou que não há provas contra ele e que o inquérito não teria sido aberto se ele não fosse filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa de Roberta criticou a ampliação das diligências e disse que o caminho deveria ser o arquivamento. A empresa de Ribas negou favorecimento e declarou que seus contratos foram firmados após procedimentos previstos em lei.
Em entrevista no sábado, Roberta afirmou que Lulinha se reunia “semanalmente” com ministros do governo e disse ter a intenção de fazer uma delação premiada. Ela também declarou que pretende responder a qualquer acusação dentro do devido processo legal.