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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Willer Tomaz paga R$ 9 mil para desindexar links do Google

Planilha apreendida pela PF lista 12 reportagens removidas em outubro de 2025; o serviço foi atribuído à empresa Seu Nome Novo de Novo.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Celular com resultados de busca desfocados ao lado de documentos jurídicos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Celular com resultados de busca desfocados ao lado de documentos jurídicos.
Resumo em 30 segundos

A Polícia Federal afirma que o advogado Willer Tomaz pagou R$ 9 mil para remover ou desindexar do Google 12 links de reportagens que o associavam ao senador Flávio Bolsonaro. A assessoria de Tomaz diz que a medida foi uma ação judicial contra o Google. Os dois são investigados em inquérito no STF.

A Polícia Federal afirma que o advogado Willer Tomaz pagou por serviços para remover ou desindexar do Google links de reportagens que o associavam ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mensagens e documentos encontrados no celular de Tomaz indicam que a empresa Seu Nome Novo de Novo cobrou R$ 9 mil para retirar 12 links, em outubro de 2025. Flávio e o advogado são investigados em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo relatório da investigação, uma planilha apreendida com Tomaz relaciona as 12 páginas e registra que elas foram removidas. Entre os títulos listados estavam reportagens sobre uma disputa envolvendo uma mansão e o advogado, além de outra que mencionava Flávio, cassinos e operadoras de apostas em Las Vegas. Os conteúdos não estão mais acessíveis.

Nas mensagens, um representante da empresa apresentou o preço de R$ 1 mil por link, o que somaria R$ 12 mil. O valor final, porém, foi reduzido para R$ 9 mil porque, segundo o interlocutor, uma cobrança anterior de R$ 3 mil por um link que voltou a aparecer seria considerada no cálculo. A Polícia Federal não identificou o representante nas mensagens citadas no relatório.

A assessoria de Tomaz afirmou que a iniciativa foi uma ação judicial contra o Google para desindexar conteúdos antigos e desatualizados. Disse também que o advogado não tentou romper sua associação com Flávio, de quem é amigo. Na nota, classificou a análise da PF sobre os links como uma “pescaria probatória com fins eleitorais” e afirmou que poderá recorrer à Justiça contra publicações que distorçam sua posição. Flávio não comentou a remoção dos conteúdos.

O inquérito, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets. A investigação começou após a PF encontrar indícios de que Tomaz controlaria a Rede Loto, casa de apostas autorizada pelo governo do Rio a operar em maio de 2023. Com a quebra de sigilo telemático do advogado, os investigadores tiveram acesso a mensagens, e-mails e outros dados armazenados em seu celular.

A análise levou a PF a apontar vínculos entre Tomaz e Flávio, e o caso foi enviado ao STF. No relatório, os policiais descrevem o advogado como parte central de uma rede que incluiria empresas, familiares, instituições de pagamento, plataformas de apostas, agentes políticos, advogados e interlocutores em órgãos públicos. A investigação ainda apura se houve participação dos dois em um esquema criminoso; as suspeitas não representam uma condenação.

Tomaz afirmou que não há irregularidades. Flávio, por sua vez, chamou o inquérito de “fake news” após a divulgação da investigação. A desindexação é diferente da exclusão de uma página: em geral, remove um endereço dos resultados de busca, mas não necessariamente apaga o conteúdo do site onde foi publicado.

Fontes: O Globo, Valor Econômico, Gazeta do Povo

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