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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Lula e Flávio Bolsonaro disputam eleição presidencial acirrada

A eleição presidencial de 2026 chega à reta final do primeiro turno com Lula e Flávio Bolsonaro em disputa acirrada, sob pressão de crises políticas e econômicas.

Por Ricardo Vasconcelos 4 min de leitura
Multidão acompanha comício de campanha em um espaço aberto no Brasil. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Multidão acompanha comício de campanha em um espaço aberto no Brasil.
Resumo em 30 segundos

Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final do primeiro turno em disputa acirrada, segundo pesquisas mencionadas na campanha. O presidente enfrenta desgaste com investigações envolvendo seu filho, críticas à economia e falas que repercutiram nas redes. O governo anunciou reajustes e programas de renegociação de dívidas; Lula não participará do debate da TV Globo nesta quinta-feira.

A eleição presidencial de 2026 chega à reta final do primeiro turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em disputa acirrada. Pesquisas citadas na campanha mostram alternância de liderança entre os dois candidatos tanto no primeiro quanto no segundo turno, a três dias da votação, marcada para domingo (4).

A campanha de Lula esperava enfrentar Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, por considerá-lo um adversário mais fácil. Mas a disputa foi marcada por problemas que desviaram o foco da comparação entre os governos Lula e Bolsonaro e do discurso sobre soberania nacional: investigações envolvendo o filho do presidente, críticas à economia e episódios que viralizaram nas redes sociais.

Na última semana, ganhou repercussão uma mensagem falsa sobre Nossa Senhora Aparecida, que atribuía a Flávio a intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. A associação veio de um projeto de lei arquivado há quase duas décadas e apresentado por outro parlamentar. A campanha de Lula explorou o boato, que circulou nas redes e abriu uma disputa sobre religião e costumes.

Outro episódio envolveu uma fala de Lula durante comício em Belém, no Pará, em 28 de setembro. Ao comentar a resistência masculina ao exame de próstata, o presidente disse que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”. Depois, afirmou que se referia à rotina de exames preventivos femininos. A frase foi associada nas redes a abuso sexual infantil.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou críticas à declaração e levou o assunto a um palanque. Lula o chamou de “canalha”, e a primeira-dama, Janja da Silva, também atacou o deputado. A campanha do presidente acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra as publicações de Nikolas.

A fala se somou a outros improvisos que trouxeram desgaste à campanha. Em Belo Horizonte, em 29 de agosto, Lula confundiu Janja com a ex-mulher, Marisa Letícia, ao dizer que havia “perdido a Janja depois de 45 anos de casado”. Em Guarulhos, em 18 de setembro, voltou a trocar os nomes. No ato de Belo Horizonte, também foi criticado por dizer que trabalhar como gari era uma profissão “muito pobre”, associada a quem “não pôde estudar”.

As investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também mantiveram a corrupção no centro do debate. Documentos encontrados pela Polícia Federal no celular da empresária Roberta Luchsinger indicaram que ela teria organizado e custeado uma viagem de luxo de Lulinha e familiares pela Europa, em janeiro de 2025, com orçamento de R$ 1,868 milhão. A defesa de Lulinha afirmou que o vazamento foi seletivo e que dados descontextualizados eram usados para criar ilações e narrativas falsas.

A apuração, originada em elementos da Operação Sem Desconto, examina suspeitas de corrupção e tráfico de influência em negócios ligados ao governo federal. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal apontaram que Roberta teria atuado para abrir portas em ministérios. O caso também envolveu Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete de Lula, que recebia demandas da lobista e teve cerca de R$ 217 mil em despesas pagas por ela, segundo a Polícia Federal.

Marcola deixou o Palácio do Planalto em julho para trabalhar pela reeleição, mas saiu da equipe eleitoral após virem a público as transações financeiras. Lula negou relação pessoal ou política com Roberta e defendeu que as investigações prossigam. Em 15 de setembro, disse que Lulinha “não tem proteção” e que, se tiver culpa, “vai pagar”.

A economia é outro ponto de pressão. Pesquisa Quaest citada na matéria mostra que, em setembro, 49% dos entrevistados diziam que a economia havia piorado, ante 43% em janeiro. A parcela que afirmava ter muitas dívidas passou de 21% em julho para 28%, enquanto a preocupação com a economia subiu de 12% para 19%.

O governo anunciou medidas de crédito, renegociação de dívidas e reajuste do Bolsa Família. Em 17 de setembro, informou aumento de 15,04% no benefício mínimo, de R$ 600 para R$ 691, e no valor médio, de R$ 675 para R$ 777. Também lançou o Desenrola 3.0, que prevê até R$ 15 bilhões em recursos públicos para renegociar até R$ 150 bilhões em dívidas.

Na quarta-feira (30), Lula anunciou que não participará do debate da TV Globo marcado para esta quinta-feira (1º), no mesmo horário em que dará entrevista ao podcast Flow. Flávio confirmou presença no debate. A campanha ocorre a poucos dias do primeiro turno, enquanto o presidente tenta recuperar terreno e evitar que a disputa se concentre nos casos de corrupção, no custo de vida e nos deslizes de campanha.

Quem é quem

Luiz Inácio Lula da Silva
Político brasileiro do Partido dos Trabalhadores e presidente da República. Foi eleito presidente em três ocasiões e voltou ao cargo após vencer a eleição presidencial de 2022. Na campanha de 2026, concorre à reeleição.
Flávio Bolsonaro
Político brasileiro do Partido Liberal e senador pelo Rio de Janeiro. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é candidato à Presidência da República na eleição de 2026.
Polícia Federal
Instituição policial federal do Brasil, subordinada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Atua na investigação de crimes de competência federal, além de exercer funções de polícia judiciária da União.

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