PF pede investigação sobre festas de Daniel Vorcaro e suspeita de tráfico
O pedido enviado ao STF busca apurar se mulheres, inclusive estrangeiras, foram vítimas de coação ou de uma rede de exploração sexual nos eventos.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Federal pediu ao STF autorização para investigar suspeitas de tráfico de mulheres para exploração sexual em festas promovidas por Daniel Vorcaro e pessoas ligadas a ele. O pedido se baseia em mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro e inclui eventos em Trancoso. A defesa contesta a investigação.
A Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para investigar suspeitas de tráfico de mulheres para exploração sexual em festas promovidas por Daniel Vorcaro e pessoas ligadas a ele. O pedido foi encaminhado na semana passada ao presidente da Corte, Edson Fachin, e também apura se os eventos teriam sido usados para aproximar o ex-banqueiro de autoridades.
A solicitação se baseia em mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Os diálogos mencionam garotas de programa e mulheres estrangeiras que teriam sido levadas ao Brasil para participar de eventos, com despesas pagas por ele ou por outros empresários. As participantes são tratadas como possíveis vítimas no pedido da PF, que pretende apurar se houve violência ou coação e se existia uma rede organizada de exploração sexual.
As conversas citadas na investigação mencionam mulheres de diferentes países, entre eles Rússia, Ucrânia, Venezuela, Argentina e Polônia. Também há referências a encontros em espaços privados de São Paulo e no exterior. Em Trancoso, no sul da Bahia, Vorcaro alugava uma casa para festas; uma mensagem da proprietária, de outubro de 2022, reclama que o imóvel estava cheio de “amigos e muitas putas”.
O pedido também aponta mensagens sobre a chegada de mulheres de países em guerra. A PF quer esclarecer em que condições elas vieram ao Brasil e permaneceram no país. Outros diálogos mencionam uma casa noturna usada nos eventos e uma agência de modelos da qual Vorcaro teria se tornado sócio, supostamente utilizada no esquema.
A defesa de Vorcaro contesta a investigação. Em nota divulgada pelo advogado Sérgio Leonardo, afirmou que “não há nenhum elemento que a justifique” e disse repudiar “qualquer tentativa de vinculação de sua pessoa a acusações desta natureza”. A defesa também classificou o caso como inserido em um “contexto difamatório perverso”.
O pedido foi encaminhado a Fachin após o ministro André Mendonça, relator do caso, remeter o procedimento à presidência do STF em setembro. A investigação aguarda definição sobre seu andamento e eventual retorno ao relator original. A apuração sobre as festas corre separadamente da investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras no Banco Master.
No Brasil, a prostituição não é crime. A exploração da prostituição por terceiros, porém, pode configurar lenocínio; o tráfico de pessoas para exploração sexual também é crime. A eventual abertura do inquérito permitirá à PF identificar e ouvir mulheres que participaram dos eventos, inclusive estrangeiras, para esclarecer as circunstâncias das festas e verificar as suspeitas.