PF pede indiciamento de 15 pessoas na Operação Compliance Zero
O relatório aponta R$ 12,2 bilhões sem comprovação em créditos; seis ministros do STF foram citados, mas nenhum foi indiciado nesta etapa.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Federal pediu ao STF o indiciamento de 15 pessoas por suspeitas de fraude em operações entre o Banco Master e o BRB. A perícia aponta que ao menos R$ 12,2 bilhões em créditos não tinham comprovação de existência. A PF pediu mais 60 dias para concluir diligências, e um novo relatório é esperado para o início de novembro.
A Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o indiciamento de 15 pessoas no primeiro relatório da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraude em negócios entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Entre os nomes estão o ex-controlador do Master Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa; nenhum ministro do Supremo foi incluído nesta etapa, embora seis tenham sido citados em mensagens ou documentos ligados ao caso.
A investigação se concentra na cessão de carteiras de crédito do Master ao banco público. De julho de 2024 a outubro de 2025, as operações envolveram cerca de R$ 17,5 bilhões em créditos. A perícia da PF aponta que pelo menos R$ 12,2 bilhões não tinham comprovação de existência, o que levou os investigadores a suspeitar que parte dos ativos tenha sido produzida artificialmente.
Segundo a apuração, o Master teria adquirido créditos atribuídos a uma consultoria e os revendido ao BRB no dia útil seguinte. A empresa tinha estrutura reduzida, e os investigadores identificaram repetição de valores e documentos que, segundo o relatório, podem ter sido criados em massa e com datas retroativas. A PF também apura se os registros das operações foram usados para induzir órgãos de fiscalização a erro e ocultar a origem dos valores.
A PF descreve Vorcaro como líder de uma organização criminosa e atribui a ele suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro, fraude em fiscalização e lavagem de dinheiro. Costa é apontado pelos investigadores como figura central na articulação das operações dentro do BRB. As defesas contestam as acusações: a de Vorcaro afirma que o indiciamento é precipitado, enquanto a de Costa diz que ele não conhecia as fraudes e que ajudou a identificar irregularidades e comunicá-las ao Banco Central.
Os seis ministros mencionados são Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli. As citações, por si só, não significam que eles sejam investigados. Todos negam irregularidades ou proximidade indevida com Vorcaro. Pela prerrogativa de foro, a abertura de investigação sobre ministros do STF depende de autorização da própria Corte; nenhum deles foi indiciado neste relatório.
A PF também pediu mais 60 dias para concluir diligências e analisar documentos, registros bancários, dados fiscais e comunicações eletrônicas. Um segundo relatório é esperado para o início de novembro, com foco na rede que teria sustentado as operações. A investigação inclui outras frentes sobre suspeitas de corrupção e eventual participação de agentes públicos, e deve avançar em 2027. O BRB reconheceu perdas de R$ 2,7 bilhões relacionadas ao caso.