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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Flávio explora entrevista de Roberta Luchsinger no caso do INSS

A lobista afirma que Lulinha se reunia semanalmente com ministros; os dois são investigados na Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Dois candidatos participam de um debate em um estúdio de televisão. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Dois candidatos participam de um debate em um estúdio de televisão.
Resumo em 30 segundos

Flávio Bolsonaro deve continuar divulgando trechos da entrevista de Roberta Luchsinger, que afirmou que Lulinha se reunia semanalmente com ministros. A lobista e o filho do presidente são investigados na Operação Sem Desconto. Lula pretende responder destacando os cortes de despesas defendidos pelo adversário e seus possíveis efeitos sobre programas sociais.

No debate entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro realizado no domingo, o senador do PL explorou as declarações da lobista Roberta Luchsinger sobre o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Na reta final da campanha, Flávio pretende continuar divulgando trechos da entrevista de Roberta à CNN Brasil, enquanto Lula deve responder destacando a proposta do adversário de cortar despesas e os possíveis efeitos sobre programas sociais.

Roberta afirmou na entrevista que Lulinha se reunia semanalmente com ministros do governo federal. Ela também criticou Lula por dizer que o filho não havia se encontrado com integrantes do governo. “O Lula é um grande mentiroso quando fala: ‘Ela é uma pilantra, mas meu filho, não. Meu filho jamais sentou com algum ministro’. O filho dele sentava semanalmente com ministros, seja para trocar figurinha, seja para trocar outro tipo de diálogo”, declarou.

A lobista e Lulinha são investigados pela Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação examina suspeitas de tráfico de influência na gestão pública e um esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários. Ser investigado não significa que alguém tenha sido condenado.

Segundo a PF, Roberta recebeu R$ 1,5 milhão do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ela afirmou que os valores correspondiam a serviços de consultoria. Em uma das transferências, Antunes informou a um interlocutor que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”; a PF considera possível que a expressão se referisse a Lulinha.

Roberta disse que pretende propor um acordo de delação premiada. Esse instrumento permite que uma pessoa investigada colabore com as autoridades em troca de benefícios previstos em lei, desde que o acordo seja aceito e as informações prestadas sejam verificadas. A entrevista, por si só, não equivale a um acordo formal nem comprova as suspeitas investigadas.

A repercussão do caso entrou no debate de domingo e deve continuar nas redes sociais. Flávio publicou ao menos dez trechos da entrevista no Instagram entre sábado e domingo. Em uma das postagens, escreveu: “Bomba na família Lula. ‘Mentiroso e mau-caráter’. Fala tudo, Roberta”. O senador também abordou o tema durante o encontro televisionado.

A campanha de Lula avalia que as falas de Roberta não trouxeram revelações que comprometam o presidente, mas teme que a circulação dos vídeos gere desgaste eleitoral. Aliados do petista foram orientados a não comentar o assunto, inclusive para defender Lula, numa tentativa de reduzir o alcance das publicações. Integrantes da campanha reconhecem que o tema foi um dos momentos mais difíceis para o presidente no debate.

Lula havia planejado responder às acusações sobre o INSS mencionando o advogado Willer Tomaz, com quem Flávio compartilhou imóveis, jatinhos e parcerias em processos judiciais, segundo a matéria. A PF investiga suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e Tomaz. O presidente, porém, não fez essa contraposição durante o debate.

A principal resposta eleitoral de Lula deve se concentrar no chamado “tesouraço”, expressão usada pela campanha petista para criticar os cortes de despesas anunciados por Flávio. Os aliados do presidente afirmam que a redução de gastos pode atingir programas como o Farmácia Popular. A estratégia deve aparecer no horário eleitoral e no debate da TV Globo previsto para sexta-feira.

A campanha de Lula também pretende comparar um eventual governo de Flávio à gestão do presidente argentino Javier Milei, argumentando que o ajuste econômico na Argentina elevou a pobreza. A comparação é uma linha de comunicação planejada pela campanha, não uma previsão sobre os efeitos de um eventual governo brasileiro.

Os dois candidatos seguem em viagem pelo país na última semana da campanha e devem concentrar os atos finais em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados que, juntos, reúnem 40% do eleitorado. As equipes buscam conquistar indecisos e mobilizar pessoas que não votaram no primeiro turno. A abstenção foi de 21,08%, equivalente a 33,5 milhões de eleitores.

Flávio tem compromissos previstos no Pará, Amazonas, Maranhão, Pernambuco, Rio e Minas Gerais. Lula deve passar por Porto Alegre, São Luís e Petrolina, além de avaliar uma viagem a Belo Horizonte. Para sábado, estão previstas caminhadas do presidente no Rio e em São Paulo. A votação ocorrerá no domingo.

Fontes: O Globo, Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo

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