Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre acesso e propostas para o SUS
Lula prevê ampliar o Agora Tem Especialistas e o Mais Médicos; Flávio Bolsonaro propõe contratar mais serviços privados e investir em telemedicina.
Resumo em 30 segundos
As propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para o SUS divergem sobre como ampliar o acesso a consultas, exames e tratamentos. Lula defende fortalecer a rede pública e programas como o Agora Tem Especialistas e o Mais Médicos. Flávio aposta em parcerias privadas, telemedicina e ferramentas digitais, mas não detalha algumas medidas.
As propostas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a saúde pública apresentam caminhos diferentes para ampliar o acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). Flávio defende contratar mais serviços da rede privada e recorrer à telemedicina; Lula aposta na expansão da estrutura pública e na continuidade de programas como o Agora Tem Especialistas e o Mais Médicos.
O debate ocorre em meio a desafios como filas para consultas, exames e cirurgias, falta de profissionais em áreas remotas, financiamento limitado e queda nas coberturas vacinais. O SUS atende toda a população em algum nível, e 75% dos brasileiros dependem exclusivamente do sistema, segundo os dados apresentados pelas propostas.
O Agora Tem Especialistas prevê que hospitais privados e planos de saúde compensem créditos financeiros e dívidas com a prestação de atendimentos pelo SUS. A proposta de Lula é ampliar o programa e elevar os valores pagos por serviços, com uma tabela que pode remunerar de três a quatro vezes mais, além de permitir pagamentos vinculados aos resultados, não apenas aos procedimentos realizados.
O plano também prevê ampliar o atendimento em terceiro turno, realizar mutirões de consultas, exames e cirurgias e levar Carretas da Saúde a mais localidades. Essas unidades móveis podem oferecer serviços de saúde em municípios e regiões com dificuldade de acesso a estruturas especializadas. Lula ainda propõe uma fila digital única, organizada conforme o risco clínico dos pacientes.
Na área de oncologia, a meta apresentada é que, nos próximos quatro anos, todos os municípios com mais de 150 mil habitantes tenham um centro de tratamento de câncer. O objetivo declarado é evitar que pacientes esperem mais de 30 dias para começar a terapia, prazo estabelecido em lei. Lula também defende teleconsultas com especialistas para moradores de cidades menores.
Para ampliar a presença de médicos onde há carência de profissionais, Lula propõe dar continuidade e expandir o Mais Médicos. O programa busca levar profissionais a áreas com dificuldade de contratação e fixação de equipes. Flávio, por sua vez, menciona incentivos a recém-formados para trabalhar em regiões remotas, mas não detalha como seriam aplicados. Sua proposta prioriza consultas por aplicativo, conectando médicos com menor demanda a pacientes de localidades com filas longas.
Flávio também quer ampliar a contratação de exames e outros serviços de prestadores privados que tenham capacidade ociosa, inclusive em horários de menor movimento. A proposta inclui reajustar a tabela do SUS para que os pagamentos cubram o que define como custo real dos atendimentos feitos por parceiros. Ele menciona ainda um “modelo Einstein” para o sistema, sem explicar quais medidas concretas a referência envolveria.
Na atenção básica, Flávio propõe expandir a Estratégia Saúde da Família e modernizar hospitais universitários federais. Para organizar o cuidado a idosos e pessoas com deficiência, prevê uma rede nacional com centros-dia e atendimento domiciliar, por meio de parcerias público-privadas. Lula também propõe ampliar centros-dia, vagas públicas em instituições de longa permanência e o Programa de Atenção Domiciliar ao Idoso, voltado a pessoas com limitações funcionais e condições crônicas.
As propostas também divergem sobre vacinação. Lula quer fortalecer a vacinação nas escolas, com equipes de saúde aplicando doses nas unidades de ensino, e ampliar a imunização contra dengue e Vírus Sincicial Respiratório (VSR) para toda a população elegível. Flávio afirma que pretende manter a imunização e incentivar a produção nacional de vacinas, sem detalhar medidas. Em debate, ele disse que o governo de seu pai “não teve os melhores resultados” na área.
Os planos incluem ferramentas digitais, como prontuários eletrônicos integrados e uso de inteligência artificial. Lula propõe conectar informações pela Rede Nacional de Dados em Saúde, para que profissionais consultem o histórico de pacientes atendidos em diferentes cidades, além de permitir marcações e acompanhamento de filas pelo celular. Flávio defende integrar um prontuário ao Gov.br, com dados das redes pública e privada, e usar inteligência artificial para identificar riscos e antecipar cuidados.
Especialistas citados nas propostas ressaltam que tecnologia, por si só, não resolve a falta de profissionais nem as dificuldades de gestão e integração entre serviços municipais e estaduais. A conectividade também é um obstáculo: levantamento de 2024 sobre unidades básicas de saúde apontou que 34,8% dos postos conectados consideravam inadequada a conexão, enquanto 47,8% não tinham estrutura para realizar webconferências.
O financiamento é outro ponto em discussão. Uma avaliação apresentada sobre o gasto em saúde informa que o SUS desembolsou US$ 779 por pessoa em 2022, diante de uma média de US$ 4.121 nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Lula promete manter o crescimento do orçamento da Saúde acima do mínimo previsto na Constituição; a campanha de Flávio não informou se pretende aumentar os recursos destinados ao sistema.