PF envia ao STF inquérito sobre bets que envolve Flávio Bolsonaro
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas; nota técnica aponta que Willer Tomaz movimentou R$ 5 bilhões em apostas em 2025.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Federal enviou ao STF um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro. A apuração examina operações de apostas online, possíveis vínculos de Tomaz com empresas do setor e, em outra frente, suspeita de vazamento de informações do STJ.
A Polícia Federal (PF) enviou no início desta semana ao Supremo Tribunal Federal (STF) um inquérito sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro que envolve o advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A investigação, iniciada no Rio Grande do Sul para apurar lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de casas de apostas virtuais, também passou a examinar operações de bets no Rio de Janeiro.
Segundo o relatório policial, há “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, empresa do setor de apostas. A PF também apura se o advogado seria sócio oculto da Blaze e de outras empresas que operam plataformas de apostas. Tomaz nega manter relação societária ou comercial com a Blaze.
Uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), ligada ao Ministério da Fazenda, apontou que Tomaz movimentou R$ 5 bilhões em apostas online durante 2025. Desse total, R$ 258 milhões foram depositados na Foggo, empresa responsável pela Blaze. A pasta o identificou como o brasileiro que mais depositou em plataformas de apostas no ano passado.
O valor de R$ 5 bilhões não representa dinheiro efetivamente depositado nas plataformas: o cálculo inclui depósitos e a reutilização de ganhos para fazer novas apostas. A distinção é relevante porque o volume movimentado pode crescer quando os mesmos recursos são apostados novamente.
Tomaz é advogado e dono do escritório Willer Tomaz Advogados Associados. Também tem negócios nos setores imobiliário, de aviação e de comunicação, incluindo o Sistema Difusora de Comunicação, no Maranhão. Na advocacia, representou o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) em tribunais superiores e atuou pela Eldorado Brasil Celulose, do grupo J&F, em um caso ligado à Operação Greenfield, que investigou irregularidades em investimentos de fundos de pensão.
O advogado mantém relação de amizade com Flávio Bolsonaro, e os dois já viajaram juntos e tiveram convivência familiar pública. Ambos afirmam que a relação é pessoal e negam vínculos comerciais. Tomaz também é próximo do senador Weverton Rocha (PDT) e já o defendeu em processos.
Em outra frente, a PF investiga suspeita de vazamento de informações internas de processos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a Tomaz. A apuração levou a uma busca contra Humberto Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do tribunal, suspeito de repassar dados ao advogado. A investigação identificou, em arquivos armazenados na nuvem de Tomaz, indícios de que ele teria recebido informações por intermédio de Pradera.
Pradera foi exonerado na sexta-feira (16), por determinação do presidente do STJ, Luis Felipe Salomão. Em nota, Salomão afirmou que havia ordenado uma apuração interna. Tomaz negou ter obtido acesso irregular a decisões judiciais ou pareceres do Ministério Público Federal e disse que não interferiu em manifestações. Também classificou as insinuações como falsas e afirmou que distorcem o funcionamento dos tribunais.
Para entender
- Secretaria de Prêmios e Apostas
- Órgão do Ministério da Fazenda responsável por temas relacionados à autorização, regulamentação e fiscalização de apostas de quota fixa no Brasil.