Mauro Vieira critica plano de aliados de Flávio para o Itamaraty
O chanceler rejeitou a ideia de coordenar posições com os Estados Unidos e disse que a transição deve ocorrer entre governos brasileiros após a votação de 25 de outubro.
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Mauro Vieira criticou propostas de aliados de Flávio Bolsonaro para promover mudanças no Itamaraty e criar um comitê de coordenação com os Estados Unidos. O ministro afirmou que essas iniciativas podem desarticular o ministério e prejudicar o interesse nacional. Ele disse que o governo Lula respeitará a transição democrática se Flávio vencer.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou nesta quarta-feira as propostas de aliados do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para promover uma “faxina” no Itamaraty e coordenar posições com os Estados Unidos caso ele vença o segundo turno. Vieira afirmou que esse tipo de iniciativa pode desarticular o ministério e prejudicar o interesse nacional.
O chanceler disse que a criação de um comitê com participação dos Estados Unidos seria um “péssimo sinal”. Na avaliação dele, equipes de transição são formadas entre o governo que deixa o poder e o que assume, e não com um país estrangeiro. “Eu nunca vi isso. Na história das relações diplomáticas, em meus 50 anos de carreira, nenhum país fez esse tipo de coisa”, afirmou.
As declarações ocorrem a poucos dias da votação, marcada para 25 de outubro. Vieira disse que integrantes do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomaram partido na disputa brasileira. Questionado sobre possível ingerência estrangeira, respondeu que cabe aos eleitores decidir nas urnas se houve interferência e quais rumos querem para o país.
O ministro também criticou ameaças de transferir embaixadores por manifestações políticas e eventuais mudanças nas regras do serviço exterior. Para ele, em uma democracia, divergências devem ser tratadas com diálogo, negociação e conversa, e não com ameaças de retaliação a servidores públicos.
Vieira defendeu o Itamaraty como uma instituição de Estado, formada por uma carreira diplomática que, segundo ele, é estratégica em um momento de contestação ao multilateralismo — sistema de cooperação e negociação entre vários países. “Qualquer iniciativa ou tentativa para destruir ou desarticular a estrutura do Itamaraty eu acho muito ruim. É ruim para o interesse nacional”, afirmou.
Apesar das críticas às propostas atribuídas a aliados de Flávio Bolsonaro, o chanceler disse que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva cumprirá o processo democrático de transição caso o candidato do PL vença. “A democracia pede o diálogo”, declarou.
Vieira afirmou ainda que a política externa brasileira deve manter canais de diálogo com outros países, mesmo diante de diferenças políticas, e disse que o governo negociou com os Estados Unidos após a aplicação de tarifas. Sobre as críticas de autoridades estrangeiras ao sistema eleitoral brasileiro, sustentou que a decisão sobre o resultado e sobre eventuais interferências cabe à população.
A transição de governo costuma organizar a transferência de informações e responsabilidades entre administrações. Vieira argumentou que esse procedimento deve ocorrer entre o governo que sai e o que entra, sem participação de um governo estrangeiro na definição de posições brasileiras.