Orangotangos preferem comida ligada a gravações de risadas
Em um experimento com seis animais, quatro escolheram claramente o recipiente associado aos sons; os resultados sugerem que emoções durante a aprendizagem podem influenciar escolhas futuras.
Resumo em 30 segundos
Seis orangotangos em cativeiro aprenderam a associar materiais que escondiam comida a gravações de outros primatas brincando ou a sons ambientais. No teste final, quatro demonstraram preferência clara pela opção ligada às risadas. Os pesquisadores dizem que o estado emocional durante a aprendizagem pode influenciar o valor atribuído às experiências, mas ressaltam que são necessários novos estudos.
Orangotangos em cativeiro preferiram alimentos escondidos em recipientes associados a gravações de outros primatas brincando e rindo, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica Biology Letters. O experimento, realizado com seis animais em duas instituições zoológicas, investigou como o estado emocional durante o aprendizado pode influenciar escolhas posteriores.
Os pesquisadores ensinaram os orangotangos a procurar comida escondida sob materiais como musgo e serragem. Antes de cada apresentação, reproduziam sons de orangotangos brincando ou ruídos ambientais, como vento, criando uma associação entre cada material e um tipo de áudio ao longo de cinco dias.
No teste final, os animais receberam duas tigelas, ambas com comida escondida sob os materiais usados anteriormente. Quatro dos seis primatas demonstraram preferência clara pelo recipiente ligado às gravações de risadas. No conjunto, os animais escolheram mais vezes a opção associada a esses sons.
Uma explicação considerada pela equipe é que ouvir as risadas tenha provocado um estado emocional mais positivo durante o aprendizado. Isso pode ter influenciado a maneira como os animais associaram os materiais à comida e o valor que atribuíram a cada opção depois. O estudo sugere, portanto, que a aprendizagem não depende apenas da associação entre um sinal e uma recompensa: o estado do animal nesse processo também pode afetar escolhas futuras.
A autora sênior da pesquisa, Erica Cartmill, professora de antropologia e ciência cognitiva da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, afirmou que o trabalho faz parte de um projeto mais amplo sobre emoções e seus efeitos na cognição e na aprendizagem. “O que nosso trabalho mostra é que também importa o estado do animal quando ele aprende uma associação”, disse Cartmill.
A pesquisa busca ampliar para outras espécies investigações feitas com seres humanos, nas quais emoções são relacionadas ao raciocínio e à forma como experiências são lembradas. Os pesquisadores apontam que vivências emocionais durante o aprendizado podem influenciar o valor atribuído depois a uma informação. Uma associação positiva ou negativa também pode repercutir em escolhas futuras, embora o estudo não tenha testado esse efeito em pessoas.
Os autores consideram que os resultados podem contribuir para pesquisas sobre aprendizagem humana, inclusive em ambientes educacionais. Cartmill citou como exemplo a possibilidade de a ansiedade ligada ao aprendizado de matemática alterar a relação de um estudante com a disciplina e levá-lo a evitar atividades relacionadas a ela.
A equipe também destaca a necessidade de estudar emoções positivas nos animais, além de temas como medo, sofrimento e perda. Como o experimento incluiu apenas seis orangotangos, são necessárias novas pesquisas para verificar se o padrão se repete em outros animais e em diferentes situações.