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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Arraias-mantas jovens ficam perto da costa da Costa Rica

Estudo com 71 animais indica que adultos percorrem centenas de quilômetros, enquanto os mais jovens permanecem em águas costeiras, possivelmente para evitar predadores.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Arraia-manta jovem nada sobre um recife costeiro, acompanhada por pequenos peixes. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Arraia-manta jovem nada sobre um recife costeiro, acompanhada por pequenos peixes.
Resumo em 30 segundos

Pesquisadores acompanharam 71 arraias-mantas na Costa Rica entre 2018 e 2025. Os indivíduos jovens ficaram em águas costeiras, enquanto os adultos fizeram viagens mais longas, algumas até perto da Guatemala. Os dados também apontam fidelidade a locais de limpeza e levantam a hipótese de uma população própria da América Central.

Um estudo publicado na quarta-feira (21) concluiu que arraias-mantas jovens tendem a permanecer perto da costa da Costa Rica, enquanto indivíduos adultos percorrem centenas de quilômetros e chegam às águas próximas da Guatemala. A pesquisa acompanhou 71 animais entre 2018 e 2025 e indica que a idade pode influenciar os deslocamentos da espécie.

Os exemplares menores e imaturos, com cerca de três a 3,5 metros de envergadura, ficaram nas águas costeiras dentro da zona econômica exclusiva da Costa Rica. Já os animais maiores, com aproximadamente quatro a 4,5 metros, fizeram viagens mais longas. A arraia-manta, também conhecida como jamanta, pode atingir oito metros de largura.

Para monitorar os animais, os pesquisadores usaram transmissores acústicos em 59 deles e etiquetas via satélite nos demais. A equipe também recorreu à identificação por fotografias. A combinação dos métodos permitiu acompanhar os trajetos e observar o uso de áreas conhecidas como estações costeiras de limpeza.

Essas estações são recifes rochosos onde pequenos peixes retiram parasitas da pele das arraias. Os animais retornam repetidamente a determinados locais, e observações de alimentação, cortejo e acasalamentos recentes indicam que os recifes também podem ser pontos de interação social. Os pesquisadores ainda não sabem como as jamantas se orientam para voltar a áreas específicas; formações rochosas podem ter algum papel, segundo Jeffry Madrigal-Mesén, autor do estudo e diretor do grupo de pesquisa Mantas Costa Rica.

A hipótese dos cientistas é que os jovens evitem migrações longas por causa do risco de predadores, como orcas e tubarões-tigre. Embora um animal de três metros pareça enorme para uma pessoa, pode não ter tamanho suficiente para se proteger. Madrigal-Mesén afirmou que é comum encontrar arraias sem partes do corpo e que alguns ferimentos parecem compatíveis com mordidas de grandes predadores marinhos.

Ainda não está esclarecido o que faz os indivíduos jovens passarem a integrar a população migratória. Os pesquisadores consideram que áreas de alimentação e reprodução, localizadas em águas produtivas da América Central, podem influenciar essa mudança. O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Fish Science.

Os dados também levantam a possibilidade de que as jamantas observadas na Costa Rica façam parte de uma população própria da América Central, em vez de migrarem desde o Equador ou o México, como se cogitou inicialmente. A equipe investiga essa hipótese com análises genéticas. Poucos animais foram registrados entre diferentes pontos de monitoramento, mesmo quando separados por algumas dezenas de quilômetros, o que sugere fidelidade a locais específicos.

A espécie é vulnerável porque se reproduz lentamente e leva anos para atingir a maturidade sexual. Ao deixar a Ilha do Coco, de origem vulcânica, e outras áreas costeiras monitoradas, as arraias entram em águas desprotegidas, onde ficam expostas à pesca e ao tráfego de embarcações. Os pesquisadores afirmam que a proteção de refúgios costeiros precisa ser acompanhada pela preservação dos corredores marinhos usados nas migrações.

Para entender

Estação de limpeza
Recife rochoso onde pequenos peixes retiram parasitas da pele de animais marinhos. Arraias-mantas podem voltar repetidamente a esses pontos, que também foram associados a comportamentos de alimentação e interação social.
Zona econômica exclusiva
Faixa marítima na qual um país tem direitos sobre a exploração e o uso dos recursos naturais. Ela se estende além do mar territorial, mas não equivale à soberania plena sobre todas as águas.

Fontes: Folha de S.Paulo

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