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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Obras na Liberdade encontram osso humano perto do Cemitério dos Aflitos

Em julho, equipes também acharam louça cerâmica e um osso bovino; intervenções na Rua dos Estudantes aguardam pesquisa arqueológica autorizada.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Área de escavação arqueológica isolada em uma rua da Liberdade, em São Paulo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Área de escavação arqueológica isolada em uma rua da Liberdade, em São Paulo.
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Obras da Prefeitura de São Paulo na Liberdade encontraram um fragmento de osso humano perto do antigo Cemitério dos Aflitos, além de louça cerâmica e um osso bovino em outro trecho. As intervenções na Rua dos Estudantes dependem da conclusão de pesquisa arqueológica autorizada pelo Iphan. O cemitério recebeu pessoas negras, indígenas, pobres e indigentes entre 1775 e 1858.

Obras da Prefeitura de São Paulo na região da Liberdade encontraram um fragmento de osso humano e outros vestígios arqueológicos perto do antigo Cemitério dos Aflitos, usado entre 1775 e 1858 para sepultar pessoas negras, indígenas, pobres e indigentes. As descobertas ocorreram durante intervenções do programa Ruas Abertas, e trechos dos trabalhos foram isolados ou interrompidos para pesquisa arqueológica.

O fragmento humano, provavelmente parte de um fêmur, foi localizado em outubro sob a Rua Thomaz Gonzaga, nos arredores do sítio arqueológico, mas fora do perímetro oficial do antigo cemitério. Segundo a SP Urbanismo, não havia outros objetos antigos próximos que ajudassem a contextualizar o achado.

Em julho, equipes encontraram fragmentos de louça cerâmica e um osso bovino na Rua dos Estudantes, dentro da área associada ao sítio arqueológico da Capela dos Aflitos. Os materiais estavam a cerca de 30 centímetros de profundidade, sob asfalto e paralelepípedos. Eles foram registrados e retirados do local.

A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento informou que as intervenções na Rua dos Estudantes dependem da conclusão de uma pesquisa arqueológica autorizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O órgão federal é responsável por autorizar e acompanhar pesquisas arqueológicas e pela proteção do patrimônio arqueológico no país.

O Cemitério dos Aflitos foi o primeiro cemitério público da capital paulista. A Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos, erguida em 1779, ficava no centro do espaço funerário. Durante os trabalhos de restauração da capela, também foram identificadas entre cinco e dez pessoas sepultadas, reforçando a relação histórica do templo com o cemitério.

A capela reabriu em junho, depois de mais de um mês de restauro. O edifício passou por reformas em 1890 e 1960, foi parcialmente atingido por um incêndio em 1994 e sofreu danos após a construção de um prédio vizinho, em 2018. A obra ao lado foi embargada depois que surgiram rachaduras e infiltrações na estrutura do templo.

A área integra a segunda fase das obras do programa Ruas Abertas, que busca ampliar o espaço para pedestres e ciclistas em vias públicas aos domingos e feriados. Na Liberdade, o programa abrange as ruas dos Estudantes, dos Aflitos, Américo de Campos e Galvão Bueno. A prefeitura iniciou a requalificação do bairro no ano passado, com previsão de calçadas mais largas e acessíveis, cruzamentos mais seguros, áreas de permanência e arborização.

A Capela dos Aflitos também deverá abrigar o Memorial dos Aflitos, projeto voltado à preservação das raízes negras do bairro. Um livro sobre descobertas arqueológicas recentes no terreno está previsto para ser lançado em novembro, durante o Mês da Consciência Negra.

Fontes: O Globo

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