Obras na Liberdade encontram osso humano perto do Cemitério dos Aflitos
Em julho, equipes também acharam louça cerâmica e um osso bovino; intervenções na Rua dos Estudantes aguardam pesquisa arqueológica autorizada.
Resumo em 30 segundos
Obras da Prefeitura de São Paulo na Liberdade encontraram um fragmento de osso humano perto do antigo Cemitério dos Aflitos, além de louça cerâmica e um osso bovino em outro trecho. As intervenções na Rua dos Estudantes dependem da conclusão de pesquisa arqueológica autorizada pelo Iphan. O cemitério recebeu pessoas negras, indígenas, pobres e indigentes entre 1775 e 1858.
Obras da Prefeitura de São Paulo na região da Liberdade encontraram um fragmento de osso humano e outros vestígios arqueológicos perto do antigo Cemitério dos Aflitos, usado entre 1775 e 1858 para sepultar pessoas negras, indígenas, pobres e indigentes. As descobertas ocorreram durante intervenções do programa Ruas Abertas, e trechos dos trabalhos foram isolados ou interrompidos para pesquisa arqueológica.
O fragmento humano, provavelmente parte de um fêmur, foi localizado em outubro sob a Rua Thomaz Gonzaga, nos arredores do sítio arqueológico, mas fora do perímetro oficial do antigo cemitério. Segundo a SP Urbanismo, não havia outros objetos antigos próximos que ajudassem a contextualizar o achado.
Em julho, equipes encontraram fragmentos de louça cerâmica e um osso bovino na Rua dos Estudantes, dentro da área associada ao sítio arqueológico da Capela dos Aflitos. Os materiais estavam a cerca de 30 centímetros de profundidade, sob asfalto e paralelepípedos. Eles foram registrados e retirados do local.
A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento informou que as intervenções na Rua dos Estudantes dependem da conclusão de uma pesquisa arqueológica autorizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O órgão federal é responsável por autorizar e acompanhar pesquisas arqueológicas e pela proteção do patrimônio arqueológico no país.
O Cemitério dos Aflitos foi o primeiro cemitério público da capital paulista. A Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos, erguida em 1779, ficava no centro do espaço funerário. Durante os trabalhos de restauração da capela, também foram identificadas entre cinco e dez pessoas sepultadas, reforçando a relação histórica do templo com o cemitério.
A capela reabriu em junho, depois de mais de um mês de restauro. O edifício passou por reformas em 1890 e 1960, foi parcialmente atingido por um incêndio em 1994 e sofreu danos após a construção de um prédio vizinho, em 2018. A obra ao lado foi embargada depois que surgiram rachaduras e infiltrações na estrutura do templo.
A área integra a segunda fase das obras do programa Ruas Abertas, que busca ampliar o espaço para pedestres e ciclistas em vias públicas aos domingos e feriados. Na Liberdade, o programa abrange as ruas dos Estudantes, dos Aflitos, Américo de Campos e Galvão Bueno. A prefeitura iniciou a requalificação do bairro no ano passado, com previsão de calçadas mais largas e acessíveis, cruzamentos mais seguros, áreas de permanência e arborização.
A Capela dos Aflitos também deverá abrigar o Memorial dos Aflitos, projeto voltado à preservação das raízes negras do bairro. Um livro sobre descobertas arqueológicas recentes no terreno está previsto para ser lançado em novembro, durante o Mês da Consciência Negra.