Polícia Civil inclui lesão corporal em caso de tiro que feriu Fred Bruno
O apresentador passou a constar como vítima no boletim de ocorrência; a Polícia Civil também investiga a origem do disparo e denúncias de importunação sexual.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Civil de São Paulo incluiu lesão corporal no boletim sobre o disparo que atingiu de raspão o pé de Fred Bruno, em uma casa noturna no Itaim Bibi. O apresentador passou a constar como vítima e recebeu uma guia para exame no IML. O caso segue sob investigação, sem indiciamento do deputado Marcelo Aguiar.
A Polícia Civil de São Paulo incluiu lesão corporal no boletim de ocorrência sobre o disparo feito durante uma confusão na casa noturna Santo Cupido, no Itaim Bibi, Zona Sul da capital. O tiro atingiu de raspão o pé do apresentador Fred Bruno, do Globo Esporte SP e do canal Desimpedidos. A atualização foi registrada na tarde de terça-feira (20), após a advogada do apresentador apresentar uma petição à polícia.
Com a alteração, Fred passou a constar oficialmente como vítima. O primeiro boletim, feito na madrugada de segunda-feira (19), registrava apenas disparo de arma de fogo e não o identificava como ferido. A polícia também emitiu uma guia para que ele faça exame no Instituto Médico Legal (IML), mas não há informação sobre a realização do procedimento.
A inclusão de lesão corporal no registro não significa que o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) tenha sido indiciado. A Polícia Civil ainda investiga as circunstâncias do tiro e denúncias de importunação sexual contra mulheres que estavam na casa noturna. O disparo ocorreu durante uma discussão envolvendo o parlamentar.
Fred disse que estava bem e relatou que ouviu um barulho forte antes de sentir o impacto no pé. Segundo ele, o local começou a latejar e a queimar, e, no primeiro momento, não entendeu o que havia acontecido. O tiro atingiu e rasgou o tênis que usava.
“Está tudo bem sobre o ocorrido no bar ontem à noite. Eu estava, sim, presente, embora não tivesse nada a ver com o ocorrido. Eu ouvi o disparo e senti um impacto muito grande no meu pé, que começou a latejar, começou a queimar. Eu não entendi o que tinha acontecido. Porém, foi algo muito sério, poderia ter acontecido algo muito pior com qualquer outra pessoa”, afirmou o apresentador.
Ele disse que tomaria as medidas necessárias para que as autoridades esclarecessem o caso. Fred não participava da discussão que antecedeu o tiro e criticou a presença de uma pessoa armada dentro de uma casa noturna.
Testemunhas relataram que Aguiar teria abordado mulheres em um camarote e tentado segurar as mãos delas, tocá-las e mexer em seus cabelos, apesar da falta de interesse nas investidas. Uma mulher disse que o deputado segurava uma taça de vinho e derramou a bebida nela. Segundo o relato, a situação se agravou quando uma das frequentadoras pediu ajuda aos amigos e um deles se aproximou do parlamentar para pedir que parasse.
A testemunha afirmou que viu dois ou três homens se aproximarem de Aguiar e que o deputado caiu de frente no chão. Ela disse ter ouvido o disparo quando ele caía. Outra versão, registrada no boletim inicial da Polícia Militar, aponta que o parlamentar se sentiu acuado durante a discussão, sacou a arma e disparou. A polícia apura o que ocorreu.
Em depoimento, Aguiar disse que passou mal no estabelecimento, possivelmente por causa de medicamentos que havia tomado. Afirmou ter ouvido o tiro e declarou que, se o disparo partiu de sua arma, foi acidental. Em nota, sua assessoria disse que ele estava sob efeito de medicamentos fortes, que teriam provocado uma reação adversa, e que se envolveu em uma discussão. A equipe afirmou que o deputado prestou esclarecimentos na delegacia e foi liberado.
Seguranças retiraram Aguiar do local. Policiais militares relataram que o algemaram porque ele estava exaltado e havia risco à integridade física dele e de outras pessoas. O deputado foi levado ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros, e não teve a prisão em flagrante formalizada. O delegado responsável informou que a imunidade formal parlamentar impede a prisão em flagrante de deputados estaduais, exceto em casos de crimes inafiançáveis. Como o registro inicial tratava de disparo de arma de fogo, crime afiançável, Aguiar foi liberado.
A pistola Glock G42, calibre .380, pertencente ao deputado, foi apreendida para perícia. A arma estava regularizada, e ele tinha autorização para portá-la. A análise deverá contribuir para esclarecer se o disparo foi acidental ou intencional.
A investigação também apura o uso de uma placa oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em um veículo usado pelo parlamentar. O automóvel, que não integra a frota da Casa, foi apreendido. A Alesp informou ter aberto uma apuração administrativa. As deputadas Ediane Maria e Monica Seixas, ambas do PSOL, acionaram a Comissão de Ética da Assembleia para que analise a conduta de Aguiar.
A casa noturna confirmou que houve um incidente e disse que sua equipe acionou as autoridades. O estabelecimento afirmou colaborar com as investigações. A apuração policial sobre o disparo, as denúncias envolvendo as mulheres e o uso da placa oficial segue em andamento.