Zelenski anuncia retomada de inteligência dos EUA à Ucrânia
O compartilhamento permite que Kiev receba alertas antecipados sobre possíveis lançamentos de mísseis russos, em meio à guerra e à tensão com Washington.
Resumo em 30 segundos
Volodimir Zelenski afirmou que os Estados Unidos retomaram o compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia. Segundo o presidente, os dados ajudam Kiev a se preparar para possíveis lançamentos de mísseis russos. A declaração foi feita após conversas em Oslo com enviados americanos, em meio a divergências sobre apoio militar e energia.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou nesta terça-feira, 20, que os Estados Unidos retomaram o compartilhamento de informações de inteligência com Kiev. A declaração foi feita em Oslo, após uma reunião com enviados americanos sobre a guerra com a Rússia e as tensões entre os dois países. Segundo Zelenski, os dados permitem que a Ucrânia receba alertas antecipados sobre possíveis lançamentos de mísseis balísticos russos.
“Somos gratos aos EUA. O compartilhamento de informações de inteligência voltou a funcionar e isso é uma excelente notícia”, disse o presidente ucraniano em uma entrevista coletiva. A retomada ocorre depois de acusações de Kiev de que Washington havia restringido recursos tecnológicos importantes para a defesa ucraniana, em meio à intensificação da campanha militar russa.
Zelenski se reuniu com Steve Witkoff e Jared Kushner, enviado especial e assessor do presidente dos EUA, Donald Trump. Kushner participou remotamente. Também estiveram nas conversas o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, e o presidente da Finlândia, Alexander Stubb.
O presidente ucraniano disse estar otimista após conversar com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e mencionou a possibilidade de avanços sobre o sistema de satélites Starlink e o fornecimento de mísseis Patriot. A rede Starlink é usada pelo Exército da Ucrânia para comunicações, enquanto os Patriot são sistemas de defesa aérea capazes de interceptar ameaças, inclusive mísseis.
Autoridades dos Estados Unidos negam ter prejudicado deliberadamente a Ucrânia, seja ao suspender o compartilhamento de inteligência ou ao limitar o funcionamento da Starlink. “Nada está sendo negado à Ucrânia de forma deliberada”, afirmou Rubio na terça-feira, durante visita à Índia. Ele disse que Washington precisa equilibrar seus compromissos com outros parceiros e as próprias necessidades.
As relações entre Kiev e Washington se deterioraram após Trump acertar com o presidente russo, Vladimir Putin, o fornecimento de diesel ao mercado americano. A decisão provocou irritação na Ucrânia, que a considera uma recompensa à Rússia apesar da invasão. Trump busca conter os preços dos combustíveis, tema sensível nos Estados Unidos a duas semanas das eleições de meio de mandato.
O presidente americano também criticou os ataques ucranianos a refinarias russas, responsabilizando-os pela alta dos preços mundiais dos combustíveis. Na segunda-feira, 19, afirmou que talvez outra pessoa devesse negociar em nome da Ucrânia. Depois da reunião em Oslo, Trump disse que Zelenski “tem que chegar a um acordo” com a Rússia.
Witkoff deve seguir de Oslo para São Petersburgo nesta quarta-feira, 21, para conversar com Putin. Segundo Støre, o enviado apresentará propostas elaboradas em conjunto por americanos e europeus, que poderiam abrir caminho para uma reunião entre líderes. Zelenski afirmou que qualquer negociação sobre o futuro da Ucrânia só será aceitável se o país estiver presente à mesa.
Os ataques de ambos os lados contra instalações de energia na Rússia e na Ucrânia aumentam a preocupação com um inverno difícil em Kiev. A guerra também prossegue: autoridades ucranianas informaram que ataques russos mataram ao menos sete pessoas na região de Kiev e em Kramatorsk, cidade próxima à linha de frente. Zelenski declarou que a Ucrânia não está perdendo a guerra, mas “estamos perdendo vidas e tempo”.