Operação Cavalo de Troia prende suspeito de intermediar propinas
A terceira fase da investigação apura repasses superiores a R$ 4 milhões e suspeita de fraude em uma licitação ambiental de Bauru estimada em R$ 5,2 bilhões.
Resumo em 30 segundos
A Polícia prendeu Jonathan Moga Pinto em Bauru, suspeito de intermediar repasses ligados a uma licitação ambiental. A investigação da Operação Cavalo de Troia apura pagamentos superiores a R$ 4 milhões e determinou o bloqueio de até R$ 20 milhões de Moga, de seu sócio e da Estre Ambiental. A empresa nega irregularidades e diz acompanhar a operação.
A Polícia prendeu nesta sexta-feira, 23, em Bauru, no interior de São Paulo, o personal trainer Jonathan Moga Pinto, suspeito de atuar como intermediário financeiro em um esquema de propinas ligado a uma licitação ambiental. A investigação da Operação Cavalo de Troia apura pagamentos superiores a R$ 4 milhões e uma fraude relacionada a um contrato estimado em R$ 5,2 bilhões.
Segundo a Promotoria, Moga aparece como controlador da Core Intermediações, empresa que teria recebido recursos destinados a agentes públicos municipais. Os valores seriam usados para favorecer a Estre Ambiental em um edital de licitação. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 20 milhões de Moga, de seu sócio na empresa e da Estre.
A terceira fase da operação mira, segundo os promotores, o braço financeiro do esquema e pessoas suspeitas de intermediar os repasses. A investigação apura se empresas e contratos sem uma finalidade econômica efetiva foram usados para dar aparência regular às transferências. Os pagamentos identificados teriam sido registrados em contratos, notas fiscais e descrições de serviços cuja prestação ainda é investigada.
Uma das parcelas mencionadas pelos investigadores teria sido dividida em dois repasses: um de R$ 750 mil e outro de R$ 225 mil. A apuração sobre a Core avançou depois que uma nota fiscal da empresa foi apreendida na fase anterior da operação. Diligências posteriores apontaram outros pagamentos expressivos em favor da companhia.
A licitação foi barrada pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo Ministério Público. O procedimento, que deveria definir a contratação de serviços ambientais, está sob suspeita de ter sido direcionado para beneficiar a Estre. A empresa afirmou que acompanha os desdobramentos da operação e reafirmou compromisso com ética e transparência.
Entre os investigados estão o ex-secretário de Governo de Bauru Renato Purini, marido da prefeita Suellen Rosim (PSD), a ex-secretária municipal de Meio Ambiente Cilene Chabuh Bordezan e o executivo da Estre Hamilton Libório Agle. Também são investigados o ex-secretário de Negócios Jurídicos Vitor João de Freitas Costa e o ex-coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente Roldão Neto. Ao todo, oito pessoas foram presas nas fases da operação, incluindo Purini.
A Prefeitura de Bauru informou que colabora com o Ministério Público e que demitiu todos os investigados que trabalhavam no município. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, participa da investigação. Moga é apontado pelos promotores como “laranja” do esquema; a prisão ocorre enquanto a suspeita sobre os repasses e a efetiva prestação dos serviços contratados segue em apuração.