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Sábado, 17 de outubro de 2026

Ministério Público apura regalias a Milton Leite em prisão

Buscas na cadeia de Mogi das Cruzes apreendem dinheiro e celular de um carcereiro; defesa nega tratamento privilegiado ao ex-vereador.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Policiais fazem buscas nas proximidades de uma cadeia pública em Mogi das Cruzes. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Policiais fazem buscas nas proximidades de uma cadeia pública em Mogi das Cruzes.
Resumo em 30 segundos

O Ministério Público de São Paulo e a Corregedoria da Polícia Civil fizeram buscas na cadeia de Mogi das Cruzes e em outros endereços para apurar suspeitas de regalias a Milton Leite. Foram apreendidos US$ 10 mil, R$ 155 mil e o celular de um carcereiro. A defesa nega tratamento diferenciado.

O Ministério Público de São Paulo e a Corregedoria-Geral da Polícia Civil fizeram buscas nesta sexta-feira (16) na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes e em outros endereços para apurar suspeitas de que o ex-vereador Milton Leite recebia tratamento privilegiado enquanto está preso. A força-tarefa apreendeu dinheiro e o celular de um carcereiro; a defesa de Leite nega que ele tenha recebido regalias.

A apuração trata de possíveis benefícios concedidos a presos investigados na Operação Vectura Corrupta, que tem Leite como alvo principal. Ele está detido em Mogi das Cruzes desde 18 de setembro, quando se apresentou à Polícia Civil. Sua prisão temporária, inicialmente decretada por 30 dias, foi prorrogada por mais 30 dias nesta quinta-feira (15).

Segundo a Promotoria, havia um fluxo frequente de visitantes, muitos sem vínculo familiar com o ex-vereador, em circunstâncias que destoariam das regras da custódia. A investigação também apura outras possíveis regalias. Entre os relatos sob análise está a oferta de um almoço especial com vinho.

O juiz Domicio Whately Pacheco e Silva, da Vara Regional das Garantias de Guarulhos, autorizou três mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram na cadeia, no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes e na residência do carcereiro Jaércio da Cunha Braga. Policiais militares e penais participaram da operação, que também contou com cães farejadores.

Nas buscas na casa do carcereiro e na unidade prisional, foram apreendidos US$ 10 mil e R$ 155 mil em dinheiro. De acordo com os investigadores, ao menos R$ 4 mil estavam com o policial. O celular dele também foi apreendido por determinação judicial. A força-tarefa vistoriou a cela e os pertences de Leite, diante da suspeita de que objetos proibidos, como aparelhos de comunicação, possam ter entrado na cadeia.

A suspeita ganhou força após diligências realizadas nos dias 8 e 9 de outubro, com apoio de policiais disfarçados. Um relatório registra que, no dia 8, uma caminhonete GM Montana entrou de ré no estacionamento do distrito policial, que fica ao lado da cadeia, e permaneceu no local por pouco tempo, em uma manobra considerada compatível com a entrega de objetos. O veículo pertence à Construtora Incorporadora e Comércio Neumax Ltda., empresa da qual Leite, a mulher e os filhos são sócios.

Um advogado estava entre os ocupantes da caminhonete. Na mesma data, outro carro, um Lexus CT200H registrado em nome de um advogado, também entrou nas dependências da delegacia. O relatório cita ainda a presença do deputado estadual Milton Leite da Silva Filho, filho do ex-vereador, e do prefeito de um município da região. O primeiro chegou em um veículo alugado; o prefeito estava em uma Ford Ranger registrada em nome de um deputado federal. A presença dessas pessoas e veículos integra a apuração, mas não comprova, por si só, a entrega de itens proibidos.

Ao justificar as buscas, o juiz observou que a cadeia e o 1º Distrito Policial compartilham endereço e administração. Por isso, os registros de visitas, as normas internas, as escalas de serviço e os documentos sobre a custódia podem ajudar a esclarecer como ocorreram os acessos. O magistrado também determinou a vistoria da cela e dos pertences do ex-vereador.

A investigação começou após uma denúncia anônima enviada por e-mail ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público que atua em casos de crime organizado. A denúncia alegava que Leite recebia políticos e amigos fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e nos fins de semana, com facilitação atribuída ao carcereiro conhecido como “Braga”. Depois das primeiras diligências, a Promotoria instaurou um procedimento investigatório criminal, instrumento usado pelo Ministério Público para apurar possíveis crimes.

Os fatos sob investigação podem caracterizar, em tese, corrupção passiva, corrupção ativa e prevaricação. A instalação de uma câmera em frente à cadeia também foi registrada pelos investigadores há cerca de duas semanas. A Promotoria ainda não divulgou conclusão sobre as suspeitas, e Leite deverá ser transferido de unidade, segundo a informação divulgada sobre a operação.

Em nota, a defesa afirmou que Leite nunca recebeu tratamento diferenciado e que segue as mesmas regras, rotinas e restrições dos demais presos. Os advogados disseram não ter tido acesso à investigação nem a elementos concretos que sustentem a denúncia anônima, defenderam que ela seja apurada antes de ser tratada como prova e afirmaram estar à disposição do Ministério Público.

Leite é investigado separadamente por suspeita de ligação com um esquema no transporte público da capital paulista e com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao depor nesta quinta-feira, negou envolvimento: “Não integro, não financio, não apoio, não tenho ligação com o PCC”.

Fontes: Estadão

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