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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Carcereiro explica origem de quase R$ 200 mil achados em casa

A apuração sobre regalias a Milton Leite integra a Operação Vectura Corrupta; Braga atribui o valor a economias, venda de imóvel e reserva do filho.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Notas de reais e dólares sobre uma mesa ao lado de um envelope de evidências. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Notas de reais e dólares sobre uma mesa ao lado de um envelope de evidências.
Resumo em 30 segundos

Jaércio da Cunha Braga afirmou ao Ministério Público que os quase R$ 200 mil encontrados em sua casa vieram de economias, da venda de um imóvel da sogra e de uma reserva do filho. A investigação apura suspeitas de que ele facilitou regalias e visitas irregulares ao ex-vereador Milton Leite.

O carcereiro Jaércio da Cunha Braga afirmou ao Ministério Público que os quase R$ 200 mil encontrados em sua casa são resultado de economias acumuladas ao longo da vida, da venda de um imóvel de sua sogra e de uma reserva pertencente ao filho, que trabalha em um banco. O dinheiro foi localizado durante uma operação na sexta-feira, 16, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, que investiga suspeitas de regalias ao ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, preso na Cadeia Pública da cidade.

Na residência, foram apreendidos R$ 147 mil e US$ 10 mil. A Promotoria também encontrou R$ 4 mil com Braga, que disse manter o valor consigo para uso cotidiano e afirmou não guardar dinheiro em banco. O carcereiro, afastado das funções, tem 37 anos de carreira e salário mensal de R$ 9.831,94.

Braga nega ter concedido privilégios a Leite. O Ministério Público suspeita que o servidor tenha facilitado visitas e outras condições incompatíveis com a situação de custódia do ex-vereador. O celular do carcereiro foi apreendido, e os investigadores pretendem examinar as mensagens para identificar possíveis envolvidos, incluindo policiais e políticos que teriam visitado a cadeia fora dos horários permitidos.

A operação foi conduzida por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e delegados da Corregedoria da Polícia Civil. As buscas, autorizadas pelo juiz Domicio Whately Pacheco e Silva, incluíram a casa de Braga, o 1º Distrito Policial e a cadeia de Mogi. Policiais militares e penais também participaram, com cães farejadores.

A investigação começou depois de relatos de fluxo frequente de visitantes, inclusive pessoas sem vínculo familiar com Leite, e de visitas de aliados políticos fora dos dias e horários autorizados. Um monitoramento por câmera foi instalado diante da unidade cerca de duas semanas antes da operação. Diligências realizadas por policiais disfarçados nos dias 8 e 9 de outubro também integraram a apuração.

A Promotoria instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC), instrumento usado pelo Ministério Público para investigar possíveis crimes. A Corregedoria abriu inquérito e uma apuração preliminar que pode levar a processo administrativo disciplinar. Os fatos podem configurar corrupção passiva, corrupção ativa e prevaricação, segundo os investigadores; as suspeitas ainda são objeto de investigação.

Leite foi preso em 18 de setembro, na Operação Vectura Corrupta, que apura um suposto vínculo dele com um esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista. Ele nega ligação com a facção e afirma que provará sua inocência. A prisão temporária, inicialmente fixada em 30 dias, foi prorrogada na semana passada; na terça-feira, 20, ele foi transferido para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos.

Fontes: Estadão

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