NetLab questiona critérios da Meta após bloqueio de conta de Lula
O laboratório aponta anúncios fraudulentos na Meta e identificou 967 peças sobre programas federais durante o período em que a conta foi suspensa.
Resumo em 30 segundos
O NetLab, da UFRJ, contestou a explicação da Meta de que a conta de anúncios da campanha de Lula foi bloqueada por engano. Em análise de anúncios publicados entre 16 e 30 de setembro, o laboratório encontrou ao menos 967 peças sobre programas federais em 42 páginas e pediu mais transparência sobre os critérios da empresa.
O NetLab, laboratório de estudos de internet e redes sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), contestou nesta quarta-feira, 21 de outubro, a explicação da Meta para o bloqueio temporário de uma conta de anúncios usada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O grupo pediu mais transparência da empresa, que afirmou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter bloqueado a conta por engano durante uma análise antifraude.
A discussão ocorre em uma representação apresentada pelo PT ao TSE. O partido questiona a atuação da Meta, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, e alega favorecimento político. Na terça-feira, a empresa disse à Corte que deu tratamento igual às campanhas e pediu o arquivamento do caso. O ministro Marco Aurélio Bellizze, relator da representação, havia determinado que a companhia se manifestasse em 24 horas e apresentasse comprovação de que não favoreceu candidatos.
A Meta relacionou ao tribunal determinações que recebeu e medidas adotadas para corrigir problemas. Sobre a conta petista, informou que a desativação ocorreu por engano durante uma análise antifraude realizada em acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU). O NetLab afirma que seus dados sobre anúncios fraudulentos em plataformas da empresa levantam dúvidas sobre a justificativa e sobre a eficácia dos mecanismos de fiscalização.
Para avaliar a circulação de anúncios, os pesquisadores examinaram o período de 16 a 30 de setembro, que inclui o dia 23, quando teria ocorrido a falha no bloqueio da conta. O levantamento identificou ao menos 967 anúncios que exploravam programas federais, publicados por 42 páginas. Vinte e seis delas continuavam ativas, segundo o relatório.
Uma das páginas, que já foi retirada do ar, teria veiculado 251 anúncios relacionados ao programa Desenrola Brasil. O laboratório descreveu os anunciantes como páginas com nomes genéricos e apontou falhas na verificação de identidade e confiabilidade de quem publica publicidade. Na avaliação dos pesquisadores, a Meta não teria impedido de forma suficiente a circulação nem a retomada desses anúncios.
O NetLab também comparou o anúncio da campanha do PT que levou ao bloqueio com um anúncio fraudulento publicado no mesmo período. Para o laboratório, a comparação coloca em questão os critérios técnicos usados pela plataforma para suspender contas. O grupo afirma que, se a decisão não teve motivação política, ela indica problemas nos mecanismos de detecção de fraude.
A nota do laboratório sustenta que a conta era oficial e havia sido declarada à Justiça Eleitoral, como exigido pelo TSE. Por isso, os pesquisadores dizem que a plataforma deveria reconhecer esse status ao aplicar medidas de segurança durante o período eleitoral. O grupo defende que a divulgação de informações sobre os critérios e as ações da Meta é necessária para avaliar a conduta da empresa.
O NetLab citou ainda uma investigação da agência Reuters segundo a qual cerca de 10% da receita da Meta viria de anúncios ilegais e fraudulentos. A empresa registrou receita de US$ 201 bilhões no ano passado, valor que o laboratório comparou a aproximadamente R$ 1 trilhão. Os pesquisadores afirmam que a explicação apresentada ao TSE não basta para esclarecer o caso sem acesso a dados e critérios verificáveis.