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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

AGU pede direito de resposta à Veja sobre reportagem de Vorcaro

A Casa Civil e Alexandre Padilha também solicitaram medidas à Advocacia-Geral da União; PF e PGR negam depoimento com o conteúdo atribuído ao ex-banqueiro.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Documentos oficiais sobre uma mesa diante de um edifício público brasileiro. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Documentos oficiais sobre uma mesa diante de um edifício público brasileiro.
Resumo em 30 segundos

A Advocacia-Geral da União pediu direito de resposta à revista Veja após uma reportagem atribuir a Daniel Vorcaro supostos repasses para um documentário sobre Lula. A Casa Civil contestou as alegações, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pediu perícia no áudio. PF e PGR afirmaram que Vorcaro não prestou o depoimento descrito.

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu nesta sexta-feira (9) direito de resposta à revista Veja por uma reportagem sobre supostos repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A solicitação foi motivada por pedidos da Casa Civil e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que também pediu perícia no áudio divulgado pela publicação.

A Casa Civil classificou o conteúdo como desinformação e afirmou que a reportagem atribui falsamente a Lula o recebimento de vantagens indevidas. Em ofício à AGU, a Secretaria Especial para Assuntos Jurídicos disse haver “fortes indícios de manipulação, falseamento e desinformação” e apontou possíveis danos à imagem da Presidência, a políticas públicas e à integridade do processo eleitoral.

O documento sustenta que as alegações se apoiam em relatos não comprovados de Vorcaro. Também destaca que a publicação ocorreu a 16 dias do segundo turno da eleição presidencial e sugere que a AGU avalie medidas cíveis, administrativas e criminais, incluindo possíveis crimes de calúnia, infrações eleitorais e violação de sigilo das tratativas de colaboração premiada.

Padilha solicitou que o arquivo de áudio passe por perícia fonética e áudioforense para verificar autenticidade, integridade e eventuais edições. Pediu ainda que a AGU notifique extrajudicialmente a Editora Abril e a Veja e ajuíze ação para obter direito de resposta. O ministro afirmou que busca proteger sua honra e a imagem institucional da pasta diante de imputações que considera inverídicas.

A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) negaram que Vorcaro tenha prestado depoimento com o conteúdo descrito na reportagem. A PF informou que recebeu uma notícia-crime para apurar os fatos e disse que as propostas de colaboração apresentadas pela defesa não foram aceitas por falta de cumprimento dos requisitos legais.

A PGR afirmou que não houve contato direto com Vorcaro nem depoimento oral durante as tratativas. Segundo o órgão, a proposta foi rejeitada por motivos apresentados à defesa. A colaboração premiada é um acordo em que um investigado fornece informações e provas em troca de benefícios previstos em lei; a rejeição significa que, neste caso, não houve acordo homologado.

A defesa de Vorcaro e a de seus ex-sócios também repudiaram a divulgação de trechos não homologados e disseram não reconhecer a origem, a autenticidade ou a integridade do material. A defesa do ex-banqueiro afirmou que ele não prestou depoimento à PF ou à PGR no âmbito das negociações.

A reportagem atribuía a Vorcaro a afirmação de que teria liberado recursos para um documentário sobre Lula em troca de negócios no governo. A AGU informou que adotará providências após analisar os pedidos da Casa Civil e do Ministério da Saúde e os esclarecimentos dos órgãos de investigação.

Para entender

Colaboração premiada
Acordo previsto em lei pelo qual um investigado fornece informações e provas sobre crimes em troca de benefícios legais. A proposta precisa cumprir requisitos e ser aceita pelas autoridades competentes; a rejeição impede que se forme um acordo homologado.

Fontes: Gazeta do Povo, Valor Econômico

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