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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Ações da MRV caem até 42,3% após reeleição de Lula

A Cyrela recuou até 43,7% na mesma sessão; investidores reavaliaram os ativos diante das expectativas para os juros e a política fiscal.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Profissionais acompanham as oscilações do mercado em uma sala de operações da Bolsa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Profissionais acompanham as oscilações do mercado em uma sala de operações da Bolsa.
Resumo em 30 segundos

As ações da MRV e da Cyrela tiveram fortes quedas na segunda-feira, após a reeleição de Lula e a reação dos investidores às perspectivas fiscais e de juros. Economistas e representantes do setor imobiliário avaliam que o custo do crédito e as decisões econômicas do governo podem influenciar a atividade e os investimentos nos próximos meses.

As ações da Cyrela e da MRV despencaram na segunda-feira, 26, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio à reação dos investidores às perspectivas para a política fiscal e os juros. A Cyrela chegou a cair 43,7% durante a manhã, enquanto a MRV recuou até 42,3%; ambas ficaram entre as maiores desvalorizações do dia.

A queda das ações da MRV ocorreu em uma sessão de forte aversão a risco na Bolsa. O resultado eleitoral surpreendeu parte dos investidores, que havia se posicionado para a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno. A mudança de expectativa levou à revisão dos preços dos ativos e ampliou as preocupações com os juros futuros, que influenciam o custo de financiamento das empresas.

A oscilação dos papéis acompanha as perspectivas para o setor imobiliário. Juros elevados encarecem empréstimos para compradores de imóveis e o financiamento de obras, além de aumentarem o custo do capital das incorporadoras. A inflação também pressiona os custos de construção, enquanto o crédito mais caro pode limitar a capacidade de compra das famílias.

André Caruso, CEO da gestora Pilar Capital, afirmou que a reação inicial reflete a expectativa de mudança na trajetória de redução dos juros. Ele avaliou que o setor tende a se adaptar ao novo cenário e destacou que a construção civil já enfrentou diferentes conjunturas. O déficit habitacional e os incentivos governamentais, acrescentou, sustentam a atividade.

Um dos principais apoios recentes ao mercado residencial foi o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), programa habitacional que ampliou o limite de valor dos imóveis, reduziu taxas de juros e passou a atender faixas de renda mais amplas. Para o economista Fábio Moraes, da consultoria E2+, essas medidas impulsionaram o setor nos últimos anos. Ele ponderou, porém, que o mercado já deve atravessar uma desaceleração nos próximos meses.

Segundo Moraes, a intensidade e a duração dessa perda de ritmo dependerão das decisões econômicas do governo. Uma redução da taxa básica de juros, a Selic, diminuiria o custo dos financiamentos e poderia aliviar o endividamento das empresas. O economista afirmou que o nível atual dos juros restringe a atividade e que a reação negativa dos investidores reflete ceticismo sobre a condução das contas públicas.

Caruso também disse que o governo precisará sinalizar como pretende lidar com o equilíbrio fiscal. Para ele, a composição da equipe econômica e a apresentação de medidas para dar sustentabilidade às contas públicas podem influenciar a confiança do mercado. As expectativas sobre esses passos afetam as taxas de longo prazo, que refletem projeções dos investidores para os juros futuros e ajudam a definir decisões de investimento.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) encaminhou ao governo uma agenda com propostas de equilíbrio fiscal, redução dos juros e maior eficiência do Estado. A entidade também defende ações para qualificar trabalhadores, ampliar a industrialização e a produtividade do setor e estimular obras industriais. Entre os temas que, segundo a CBIC, ainda precisam de debate estão a reforma tributária e o fim da escala 6x1.

Eduardo Aroeira Almeida, CEO da CBIC, afirmou que a rapidez da aprovação da reforma tributária, em razão do calendário eleitoral, deixou questões a esclarecer. Ele disse que a construção civil ainda não conseguiu implementar mudanças relacionadas à reforma porque há pendências do governo. Apesar das preocupações econômicas, Almeida afirmou que os empresários receberam com tranquilidade o resultado eleitoral e ressaltou a importância da segurança jurídica para investimentos de longo prazo.

O cenário também afeta imóveis comerciais, embora os efeitos não sejam necessariamente imediatos. Um estudo da consultoria SiiLA, baseado em dados de 11 anos do mercado corporativo de São Paulo, aponta que os juros futuros podem influenciar os preços dos imóveis antes de alterar as decisões das empresas sobre alugar escritórios. Quando as taxas de longo prazo aumentam, investidores tendem a exigir retorno maior e a oferecer menos por imóveis que geram a mesma renda de aluguel, o que pode dificultar novos empreendimentos.

Giancarlo Nicastro, CEO e fundador da SiiLA, afirmou que os imóveis e os contratos de locação não mudam de imediato por causa do resultado eleitoral. Para ele, a trajetória dos juros futuros será um dos principais indicadores para acompanhar, por seu impacto sobre preços, investimentos e viabilidade de projetos. No segmento de baixa renda, Claudio Carvalho, da incorporadora AW Realty, avaliou que o MCMV deve manter seu curso; na média renda, a retomada da demanda e da produção dependeria de uma queda mais significativa dos juros.

A definição do resultado eleitoral também encerrou meses de incerteza para o setor, mas as empresas ainda acompanham as próximas decisões econômicas. O ritmo dos juros e as medidas para as contas públicas podem influenciar tanto o custo de construir quanto a procura por imóveis e a disposição de investidores para financiar novos projetos. Para as incorporadoras, esses fatores ajudam a determinar se a desaceleração prevista se aprofunda ou se abre espaço para uma recuperação. naatsors

Fontes: Estadão, Folha de S.Paulo

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