MP Eleitoral pede ao STF dados sobre emendas para Belford Roxo
O pedido busca cruzar informações das operações Transparência e Unha e Carne com a investigação sobre a destinação de R$ 80 milhões ao município.
Resumo em 30 segundos
O Ministério Público Eleitoral do Rio de Janeiro pediu ao STF documentos das operações Transparência e Unha e Carne para investigar se Antônio Rueda e Márcio Canella articularam a destinação de R$ 80 milhões em emendas a Belford Roxo entre 2025 e 2026. Os procuradores também querem comparar os dados com uma resposta apresentada pelo União Brasil.
O Ministério Público Eleitoral do Rio de Janeiro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso a documentos de duas investigações para apurar se Antônio Rueda e Márcio Canella articularam a destinação de R$ 80 milhões em emendas parlamentares a Belford Roxo, na Baixada Fluminense, entre 2025 e 2026. Os dois, do União Brasil, são deputados eleitos e são investigados em uma ação eleitoral sobre a indicação e o possível benefício com os recursos.
Com aval do procurador-geral da República, Paulo Gonet, os procuradores solicitaram aos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes o compartilhamento de documentos. O objetivo é cruzar informações da Operação Transparência, relatada por Dino, e da Operação Unha e Carne, sob relatoria de Moraes, com elementos reunidos na investigação eleitoral.
A Transparência apura suspeitas de que dirigentes políticos tenham comandado a distribuição de emendas sem ocupar cargos públicos. Já a Unha e Carne investiga crimes ligados ao Comando Vermelho, entre eles lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e vazamento de informações sigilosas no Rio de Janeiro.
Os procuradores também pediram a Dino a resposta do União Brasil a uma determinação para que partidos com representação no Congresso esclarecessem se participam da definição ou da distribuição de emendas. A sigla negou que sua direção tivesse cotas ou controle sobre esses recursos. A manifestação incluiu Rueda, que, à época, não exercia mandato eletivo. O Ministério Público quer comparar essa versão com as informações das investigações.
A apuração sobre a destinação de recursos a Belford Roxo também considera uma anotação encontrada no celular de Canella, preso pela Polícia Federal em 15 de outubro. O registro menciona “Emendas/20 Pedro 20 Mota”. Segundo os procuradores, a anotação e outros elementos justificaram o pedido de acesso aos documentos do STF.
Canella havia sido preso em flagrante em julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, agentes encontraram um fuzil calibre 5,56 milímetros em seu veículo, além de R$ 919 mil e US$ 13 mil. Ele também é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de R$ 7,6 bilhões por meio de postos de combustíveis. Após a prisão de julho, abandonou os planos de disputar uma vaga no Senado.
Rueda foi eleito deputado federal com 155.836 votos, e Canella, deputado estadual com 197.178. Canella governou Belford Roxo por um ano. Os procuradores pediram ainda quaisquer outros elementos já documentados sobre os dois ou parlamentares citados na investigação que possam esclarecer a indicação, a articulação ou a destinação de verbas ao município.