Moraes bloqueia até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz em investigação
A decisão também cancela os passaportes do advogado e quebra seus sigilos bancário e fiscal em apuração que verifica possível uso de contas por Flávio Bolsonaro.
Resumo em 30 segundos
Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de Willer Tomaz, além do cancelamento de seus passaportes e da quebra de sigilos bancário e fiscal. A Polícia Federal investiga se contas ligadas ao advogado foram usadas em benefício de Flávio Bolsonaro. A defesa contesta as medidas e nega irregularidades.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (23) o bloqueio e o sequestro de até R$ 6 bilhões em bens do advogado Willer Tomaz, investigado em um inquérito que também apura o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Moraes ainda ordenou o cancelamento dos passaportes de Tomaz e a quebra dos sigilos bancário e fiscal dele e de suas empresas, entre elas a Alcazar Holding.
A investigação da Polícia Federal busca verificar se Flávio usava contas vinculadas ao advogado. Os investigadores encontraram e-mails em que uma funcionária de Tomaz pede a um banco que o senador seja retirado da condição de “usuário master” de uma das contas. A suspeita é que contas do advogado possam ter sido usadas para ocultar patrimônio e lavar dinheiro em benefício do senador; a investigação ainda apura essa hipótese.
A ordem também determina que instituições financeiras identifiquem todos os correntistas relacionados às contas. A quebra de sigilo permite aos investigadores examinar movimentações e informações financeiras e fiscais, enquanto o bloqueio impede a transferência ou o uso dos bens atingidos pela decisão. O cancelamento dos passaportes foi justificado por Moraes com a informação de que Tomaz viajou ao exterior depois de se tornar alvo de investigação.
As medidas foram determinadas no segundo inquérito do STF contra Flávio Bolsonaro, sob relatoria de Moraes. A apuração também examina movimentações bilionárias de Tomaz em apostas esportivas, que vieram a público dias antes da decisão. O advogado é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro para o senador; a existência de investigação não significa condenação.
Em nota, a defesa de Tomaz classificou as medidas como “desproporcionais” e afirmou que Flávio nunca movimentou recursos do advogado. Também negou que o senador tenha sido “usuário master” de uma conta da Alcazar e disse que os dois são amigos. Segundo os advogados, o valor bloqueado é aleatório e não corresponde ao patrimônio de Tomaz.
A defesa afirmou ainda que o caso começou no contexto da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e sustentou que o advogado não tem relação com esse esquema. Os representantes disseram que a investigação passou a examinar a vida pessoal e profissional de Tomaz sem encontrar ligação com as fraudes. Também criticaram a suspensão de empresas, que, segundo eles, representa punição antes de acusação ou condenação, e afirmaram que tentam obter acesso à decisão, que está sob sigilo.