Milton Leite nega ligação com o PCC e participação em empresas de ônibus
Em depoimento na Operação Vectura Corrupta, o ex-vereador também negou ser sócio oculto da Transwolff; a Justiça prorrogou sua prisão temporária por 30 dias.
Resumo em 30 segundos
Milton Leite negou à Polícia Civil ter ligação com o PCC ou ser dono oculto de empresas de ônibus, incluindo a Transwolff. Ele afirmou que sua atuação no setor foi institucional e explicou que sua empresa aluga um imóvel à concessionária. A Justiça prorrogou por 30 dias a prisão temporária dele e de outros 12 investigados.
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil) negou nesta quinta-feira, 15, ter ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) ou participação oculta em empresas de ônibus de São Paulo. Ele prestou depoimento à Polícia Civil em Mogi das Cruzes, onde está preso, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração da facção no transporte público da capital.
“Não integro, não financio, não apoio e não tenho qualquer ligação com a facção PCC ou qualquer outra organização criminosa”, afirmou Leite ao delegado Fabrício Intelizano, responsável pelo inquérito. O ex-parlamentar também disse que não é “dono de fato, nem sócio oculto ou beneficiário” de concessionárias de ônibus.
A investigação aponta Leite como possível responsável direto pela operação de empresas que seriam controladas pelo PCC, entre elas a Transwolff. Ele negou ser beneficiário da companhia ou de qualquer outra operadora de transporte público. Disse que sua relação com o setor ocorreu no exercício do mandato e que não tinha poder para aprovar a substituição de uma empresa por outra.
Leite afirmou que, em 2019, o então prefeito Bruno Covas o indicou para fazer a interlocução da Prefeitura com o setor de transporte e o sindicato dos condutores de ônibus. Segundo o ex-vereador, ele participou de reuniões com representantes das empresas e dos sindicatos de motoristas e cobradores. Também relatou ter atuado na mediação de uma greve da categoria, em julho de 2024, a pedido da Prefeitura.
O ex-parlamentar declarou que sua empresa, a Neumax, aluga um terreno com construção para a Transwolff. Segundo ele, o pagamento do aluguel é feito atualmente pela SP Transportes, interventora do contrato da concessionária. Leite disse que não conhece os investigados José Daniel Satilite e Cícero José dos Santos Filho e que nunca manteve contato pessoal, por telefone ou mensagem com eles.
Questionado sobre R$ 260 mil e US$ 89 mil apreendidos em um imóvel de Sorocaba supostamente ligado a ele, Leite afirmou que nada foi encontrado em sua residência e que desconhece a origem do dinheiro recolhido em uma casa de terceiros. Também declarou que suas atividades empresariais são lícitas e informadas à Receita Federal.
A Justiça prorrogou nesta quinta-feira por 30 dias a prisão temporária de Leite e de outros 12 investigados. A decisão foi tomada pelo juiz Nélson Augusto Bernardes de Souza, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. A prisão temporária é uma medida cautelar durante a investigação e não representa condenação.
A operação busca esclarecer como integrantes do PCC teriam se relacionado com empresas de ônibus, empresários e agentes públicos, e se houve influência em contratos ou decisões administrativas. A apuração inclui a análise de celulares e computadores apreendidos, que, segundo a decisão judicial, ainda precisam passar por perícia. O trabalho pode ajudar a identificar vínculos entre os investigados e o papel atribuído a cada um.
Milton Leite foi vereador por sete mandatos e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo por seis anos. Em depoimento, disse que sua atuação no transporte sempre foi institucional e que não tinha ingerência na SPTrans nem na Secretaria Municipal de Transportes. A defesa afirmou que ele respondeu às perguntas, rejeitou as acusações e confia no andamento das investigações para esclarecer o caso.
Para entender
- Operação Vectura Corrupta
- Investigação da Polícia Civil sobre suspeitas de infiltração do PCC no transporte público de São Paulo. O inquérito apura possíveis vínculos entre integrantes da facção, empresas de ônibus e agentes públicos, além de eventual influência em contratos e decisões administrativas.
- Transwolff
- Empresa concessionária de transporte coletivo que opera linhas de ônibus na cidade de São Paulo. A companhia é citada na investigação sobre possíveis relações entre empresas do setor e o PCC; as suspeitas estão sob apuração.