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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro propõe criar Ministério da Prosperidade

A pasta reuniria assistência social, qualificação profissional e microcrédito, mas a campanha ainda não detalhou como funcionaria a estrutura.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Pessoa analisa documentos de assistência social em uma sala com vista para prédios governamentais de Brasília. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Pessoa analisa documentos de assistência social em uma sala com vista para prédios governamentais de Brasília.
Resumo em 30 segundos

Flávio Bolsonaro propôs criar um Ministério da Prosperidade caso vença o segundo turno contra Lula. A ideia reuniria políticas de assistência social, qualificação profissional e microcrédito e assumiria programas hoje vinculados ao MDS. O nome provocou debate sobre referências religiosas, coaching e a responsabilização individual pela pobreza.

Flávio Bolsonaro (PL) propôs criar um Ministério da Prosperidade caso vença Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. A ideia, anunciada em 9 de outubro, cinco dias após o primeiro turno, prevê reunir políticas de assistência social, qualificação profissional e microcrédito, mas ainda não teve seu funcionamento detalhado.

A proposta não aparece no plano de governo registrado pelo candidato no Tribunal Superior Eleitoral. Em nota, a campanha afirmou que pretende “integrar proteção social e mobilidade social” e articular o Bolsa Família com formação profissional, incentivo ao empreendedorismo e acesso a crédito, para ampliar oportunidades de emprego e geração de renda.

A pasta assumiria a gestão dos programas de transferência de renda hoje vinculados ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A campanha disse que o objetivo é proteger quem precisa e ampliar as possibilidades de autonomia financeira e construção de patrimônio.

O nome escolhido também trouxe para o debate a Teologia da Prosperidade, corrente religiosa que associa a fé à conquista de saúde, sucesso e abundância material ainda nesta vida. A proposta, porém, não declara inspiração religiosa. A palavra “prosperidade” é usada por setores evangélicos e também aparece em discursos que relacionam empreendedorismo, esforço individual e realização pessoal.

O pastor batista Yago Martins afirmou que aproximar assistência social, qualificação e crédito é uma possibilidade defensável. Sua preocupação, disse, está na forma de apresentar a ideia: para ele, a prosperidade pode ser tratada como uma “palavra mágica” capaz de resolver problemas estruturais por meio de uma mudança de mentalidade. Martins ressaltou que fatores familiares, educacionais, institucionais e sociais também influenciam a pobreza.

A economista Deborah Bizarria, presbiteriana, descreveu prosperidade como um “léxico comum crente” e avaliou que o termo pode funcionar como aceno aos evangélicos. Na leitura dela, a escolha também substitui “desenvolvimento social”, expressão que pode soar associada à esquerda para o público de Flávio.

A discussão envolve ainda a relação entre a linguagem religiosa e o coaching. A chamada Teologia Coaching combina elementos da Teologia da Prosperidade com expressões como “alta performance” e “mentalidade vencedora”. Nesse repertório, a fé é apresentada como parte da busca por objetivos individuais, e o êxito material pode ser associado à capacidade de mudar a própria atitude.

Martins criticou essa abordagem por, em sua avaliação, deslocar o centro da pregação cristã para a realização de sonhos pessoais. Ele também disse que a lógica pode levar a interpretar o fracasso como responsabilidade exclusiva do indivíduo, deixando em segundo plano a complexidade das causas da pobreza.

O teólogo e pastor batista Ranieri Costa também relacionou esse vocabulário à proposta. Para ele, o discurso de que a riqueza depende de mudar a mentalidade e aumentar o desempenho representa uma atualização da Teologia da Prosperidade. Costa afirmou que essa linguagem migrou do meio religioso para o político e advertiu que, nessa lógica, quem não alcança a prosperidade prometida pode ser responsabilizado pelo próprio resultado.

O ex-candidato Renan Santos, do partido Missão, criticou a proposta por considerar que a criação de uma nova estrutura foi apresentada sem explicações suficientes sobre seu funcionamento e sem políticas públicas concretas. Ele associou a ideia ao empresário e influenciador Pablo Marçal, citado como possível ministro em um eventual governo Flávio. Marçal combina linguagem de coaching, empreendedorismo e espiritualidade.

A organização das pastas sociais já mudou em governos recentes. Em 2019, Jair Bolsonaro fundiu o MDS com as áreas de Esporte e Cultura para criar o Ministério da Cidadania. Em 2023, Lula recriou a pasta social. A proposta de Flávio implicaria, portanto, uma nova reorganização das políticas de transferência de renda, além da integração anunciada com qualificação profissional e crédito.

Para entender

Teologia da Prosperidade
Corrente religiosa que associa a fé à conquista de saúde, sucesso e abundância material ainda nesta vida. A ideia de prosperidade também aparece em discursos sobre empreendedorismo e esforço individual, embora o uso do termo não indique, por si só, uma inspiração religiosa.
Teologia Coaching
Expressão usada para descrever uma abordagem que combina elementos da Teologia da Prosperidade com vocabulário de coaching, como alta performance e mentalidade vencedora. Nesse repertório, a fé pode ser apresentada como parte da busca por objetivos e realizações individuais.

Fontes: Folha de S.Paulo

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