Pular para o conteúdo
Sábado, 31 de outubro de 2026

Miami se consolida como refúgio de políticos conservadores

A chegada de Flávio Bolsonaro à cidade retoma uma tradição que inclui ex-líderes cubanos e venezuelanos, em meio à força republicana na região.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Vista da orla de Miami ao entardecer, com palmeiras e prédios altos refletidos na água. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Vista da orla de Miami ao entardecer, com palmeiras e prédios altos refletidos na água.
Resumo em 30 segundos

Miami se tornou destino de políticos conservadores latino-americanos que deixaram seus países, tradição que remonta à chegada do ex-ditador cubano Gerardo Machado, em 1937. A cidade também tem uma expressiva comunidade latina e uma base republicana. Flávio Bolsonaro chegou ao local após perder a eleição presidencial e diz que pretende fazer oposição a Lula do exterior.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28), dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. A viagem ocorreu após uma ordem judicial para que entregasse os passaportes e foi feita por terra até a Argentina, de onde ele embarcou em um avião fretado que passou pelo Equador antes de seguir para a Flórida.

Na cidade, o senador se apresentou inicialmente como “presidente eleito”, mas depois substituiu a expressão por “líder do Brasil”. A declaração evocou a iniciativa do oposicionista venezuelano Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente em 2019 e recebeu reconhecimento dos Estados Unidos. Guaidó, porém, assinou uma declaração com outros líderes conservadores, entre eles o ex-presidente argentino Mauricio Macri, reconhecendo a vitória de Lula.

A chegada de Flávio insere o Brasil em uma trajetória de políticos latino-americanos que encontraram em Miami um lugar para viver após deixar seus países. O primeiro caso citado nesse histórico é o de Gerardo Machado, ex-ditador cubano que se instalou na cidade em 1937, depois de fugir de Cuba em 1933, em meio a uma revolta contra seu governo.

Machado era alvo de mandados de prisão por suspeita de assassinato e desvio de dinheiro público. Ele morreu em 1939. Depois dele, outros líderes e políticos da região também viveram em Miami, entre eles o ex-ditador cubano Fulgencio Batista, o general venezuelano Marcos Pérez Jiménez, o ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli e Guaidó.

A cidade atraiu inicialmente magnatas americanos por seu clima, pelas praias e pelo crescimento imobiliário. Com o tempo, tornou-se também um destino para cubanos e venezuelanos que deixaram seus países e adotaram uma retórica anticomunista. A migração de empresários cubanos após a revolução de Fidel Castro, em 1959, e a chegada de Hugo Chávez ao poder, nos anos 2000, ajudaram a consolidar essa tradição política.

O cenário contrasta com o discurso de setores conservadores contra a imigração. Cerca de 70% dos moradores de Miami têm origem latina, e a região abriga uma expressiva base republicana. Em janeiro, quase 350 mil hispânicos de Miami-Dade eram filiados ao Partido Republicano, ante cerca de 180 mil democratas.

Entre os políticos que emergiram desse ambiente está Marco Rubio, secretário de Estado do governo de Donald Trump e filho de cubanos. O deputado republicano Carlos Giménez, também nascido em Cuba, afirmou que sua experiência familiar explica sua oposição ao socialismo. “Não preciso de um livro didático para saber os perigos do socialismo”, disse. “Eu vivi isso. Como um cubano-americano, eu sei exatamente para onde leva o caminho do radicalismo.”

Miami também tem uma comunidade brasileira de cerca de 40 mil pessoas, menor que as de Boston e Nova York. Flávio teve 76,7% dos votos na cidade no segundo turno, contra 23,3% de Lula. Em 2022, Jair Bolsonaro obteve 81,2% e Lula, 18,8%; em 2014, Aécio Neves alcançou 91,8% dos votos válidos, enquanto Dilma Rousseff ficou com o restante. Nas três eleições, o resultado nacional favoreceu os candidatos petistas.

A direita mantém força na Flórida: o Partido Democrata não vence uma eleição para o governo estadual desde 1999. Pesquisa da Universidade Internacional da Flórida divulgada na quinta-feira (29) indicou que 68% dos cubanos do sul do estado pretendiam votar nos republicanos nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

O apoio, porém, convive com críticas às políticas migratórias de Trump. Na mesma pesquisa, 76% dos cubanos disseram desaprovar as deportações de compatriotas sem antecedentes criminais nos Estados Unidos. A política é executada pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), órgão federal responsável pela fiscalização migratória.

A permanência de Flávio no país também ocorre em meio a questionamentos judiciais e políticos sobre sua saída. Ele é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção, e a ordem de entrega dos passaportes foi determinada antes da viagem. O senador afirmou que decidiu partir depois de conversar com a mulher, Fernanda, e que manteve o plano em sigilo; também disse que pretende continuar a oposição a Lula a partir do exterior.

Em outra frente, uma ação popular apresentada na Justiça Federal do Rio de Janeiro pede a suspensão do salário e de verbas do mandato enquanto o senador estiver fora do país. O pedido inclui subsídio, verba de gabinete, auxílio-moradia e recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar dos Senadores. A solicitação ainda depende de análise judicial.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo, Gazeta do Povo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também